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Suburbicon

A história se passa em uma pequena e tranquila cidade onde o melhor e o pior da raça humana são refletidos de forma hilária através dos feitos de pessoas comuns

O sonho americano não é pra quem quer, é pra quem pode. “Suburbicon” desfaz a santidade da classe média branca americana dos EUA em uma história que caminha pacientemente para o caos e debocha da hipocrisia da proclamada Terra da Liberdade.
Como o título sugere, a história se passa em um subúrbio – arquétipo da comunidade verdejante e acolhedora, com seus terrenos milimetricamente delimitados, casas alinhadas e vizinhos sorridentes e cordiais – no fim da década de 50. Com um tom de fábula, a localidade é apresentada como a terra das oportunidades. Nota-se, porém, que há algo podre nos magistrais habitantes, quando os Myers, uma família negra, pacificamente se muda para a região e é recebida com hostilidade (subtrama que tem origem em um caso real). Paralelamente, a casa dos Lodge sofre uma invasão que resulta em uma tragédia. Enquanto a comunidade se dedica à expulsão do Meyers, o lar dos Lodge vai lentamente ruindo sem chamar a atenção. E o que tem início como uma narrativa inocente se desenrola em uma espiral de acontecimentos banhados a sangue.
George Clooney assume a direção e também assina o roteiro acompanhado por seus parceiros de longa data, Grant Heslov (que levou o Oscar de Melhor Filme em 2013 por “Argo”, juntamente a Clooney) e os irmãos Joel e Ethan Coen (também premiados pela a academia na categoria de Melhor Roteiro Adaptado por “Fargo” em 1997, e com “Onde os Fracos Não Tem Vez”, filme este que levou oito estatuetas em 2008). Além de bem acompanhado na parte técnica, o prestígio de Clooney o ajudou a recrutar um elenco sólido e estrelado. A começar pelos protagonistas Matt Damon (Gardner Lodge) e Julianne Moore (as gêmeas Margaret e Rose). Destaque também para as interpretações de Noah Jupe (Nick), Oscar Isaac (Roger), Glenn Fleshler (Ira), Gary Basaraba (Uncle Mitch) e Megan Ferguson (June).
O filme começa com a apresentação de uma família modelo, integrada pelo patriarca Gardner Lodge, sua esposa Margaret, a cunhada Rose e seu filho Nick. Após o terrível assassinato de Margaret, toda essa artificialidade construída através de falsas aparências cai por terra. E o pequeno Nick descobre que tudo o que ele pensava sobre seus familiares se trata apenas de máscaras que escondem uma grande podridão. Em contraste com a autodestruição do lar branco, os afro-americanos resistem ao cerco do conservadorismo intolerante que os assediam. Em um enredo feroz e com humor ácido, os personagens são caricatos, assimilando perfeitamente os exageros propostos. Tudo isso sincronizado à trilha sonora de Alexandre Desplat, que em seu timbre Hitchcockiano deixa sempre claro que algo está errado – e tudo pode ficar pior.
Com estreia dia 21 de Dezembro “Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso” é como uma sátira feroz a excelência do chamado “Estilo de Vida Americano”, em sua perfeição de casas bem fechadas, e a obsessão de prosperidade, mesmo com um bom nível social já alcançado. Também aborda o racismo velado, daqueles que se dizem liberais, até o momento em que precisam conviver com as minorias. Apesar de tratar-se de um filme de época, toda essa discussão a respeito da “supremacia branca” e do individualismo não poderia soar mais atual.

Sobre Patricia Naresse

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