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A escola de Maria

Numa conversa rápida com Maria das Dores, aluna haitiana do ensino médio, questionou-me:

– Olhe professor, na minha opinião num vali mais a pena istudá! Istudá prá quê? Si num tem imprego prá nóis?!

Pensei no mercado de trabalho, na nossa colonização, nos vestígios escravistas presentes na sociedade, de forma, às vezes, velada. Lembrei-me do seu Manoel da padaria, um português que falava abertamente dos pré-conceitos:

– Será que alguma empresa contrataria uma adolescente negra, obesa, analfabeta funcional e ainda por cima, moradora da favela?

Indignado um freguês disse:

– Mas qual é o probrema de morar na favela?!

Maria é negra. Bonita. Um ser humano! Maria sorri. Maria chora.

– Maria, você gosta daquela música que fala de soldados, que são quase todos pretos?”

– Sim, conheço, mas não compreendo por que dão porradas, nas nucas de seus irmãos, quase todos pretos?

– Ah, a letra diz: “é porque são malandros, marginais, mulatos, pretos e quase brancos, porém, todos pobres, que de tão pobres, são tratados”.

Eu lia nos olhos de Maria que visivelmente diziam:

– Não me importa nada,
Nem a professora de matemática,
Nem os livros de Jorge Amado,
Nem a terceira guerra mundial.

Eu lia nos olhos de Maria, que revoltantemente diziam:

– Eu não gosto de política, amo todas as novelas!

 

Maria tinha razão por pensar assim, pois, não desgrudava o olho da televisão e lia pouco, ou, quase nada!

Maria não ouve música, não canta, não dança, não lê, não se alimenta bem, não gosta de ir para a escola e não entende o que quer dizer esse verso:

– “ E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto e nenhum no marginal”.

Nossa passou tanta coisa pela minha cabeça e pelos olhos de Maria, que resolvi responder sua primeira pergunta:

– Maria, a escola é ainda a única solução, para você mudar sua vida, ou seja, é através do estudo, que você terá uma vida e um trabalho mais digno.
Novamente lembrei-me do Português que sempre dizia:

– Aqui, o salário mínimo é baixíssimo e são raras as oportunidades de boas empregabilidades, há subempregos destinados em maior parte para, negros e pobres.

Chorei enquanto olhava e pensava no destino de Maria.

– Professor por que o senhor está chorando?

– Nada não Maria, é conjuntivite.

– Professor passa arruda com leite materno, que melhora!

Tocou o sinal da terceira aula, nos despedimos.  Maria, ainda me recomendou sorrindo e batendo com as duas mãos na cabeça:

– Professor, pense no Haiti, reze pelo Haiti. O Haiti é aqui. O Haiti não é aqui.

Sobre João Antunes

Um comentário

  1. Pierre Caetano

    Uma crônica bastante tola e comum, sr. João Antunes, repleta de chavões revolucionários que obscurecem a questão que quis retratar (ou “denunciar”). Haitiana ou brasileira, uma criança possui forte ligação com o Céu, e percebe que muito do que vê na escola não espelha a Verdade, nem o verdadeiro conhecimento, e muito menos apresenta a Civilização sob uma ótica justa.

    Uma das maiores aflições que uma pessoa experimenta na vida é não saber chamar as coisas por seu verdadeiro nome e, por isso, não sabe o que fazer com as inspirações que recebe do Alto. Essa é a herança que a escola de hoje deixa àqueles que passam por ela, de uma série de chavões revolucionários, ideias falsas, um excesso de foco na vida profissional (“vida prática”) e no dinheiro. Saem dos bancos escolares os futuros “workaholics”, e com vários fios saindo de si para serem puxados pelos poderosos com a maior facilidade.

    O tipo da formação verdadeira não deveria estar restrita apenas à Igreja Católica, deveria ter reflexos em todos os âmbitos da vida, nas instituições mesmas, na cultura, cuja finalidade deveria ser a de ajudar as pessoas a irem para o Céu. Mas a realidade moderna é um grande empecilho, e essa é uma questão imensa que seria impossível abordar mesmo que sumariamente, aqui.

    Infelizmente, sua aluna está se intoxicando com novelas, e isso é aviltante. TV é um veneno para a alma e para a inteligência. Muitas vezes os mais velhos ao redor da criança contribuem na inoculação desse veneno nelas. O desinteresse que um escolar sente pelo futuro é alavancado por sua tristeza ante os elementos que o circunda no presente, que querem fazer dele um rebelado, um agente de revolução. Isso gera um negror terrível na âmago de qualquer pessoa, incluindo aquelas que não podem ser defender disso. As crianças deveriam ser enriquecidas com o que há de melhor em termos de simplicidade, clareza, estabilidade e tradição católica – isso faz um bem sem tamanho a qualquer pessoa, seja rica, seja pobre, seja branca, seja negra, seja homem, seja mulher etc.

    Um professor, para ser realmente útil e formador, deveria primeiramente ensinar a Verdade, e não instrumentalizar os discentes para a rebelião. Sei que a questão é mais embaixo, uma vez que o próprio professor, tirando raras exceções, é um agente de revolução por sua vez, não foi bem formado e em sala faz muito o papel de ideólogo, o que é escandaloso. Por isso o desinteresse não apenas de Maria haitiana, mas mas muitas crianças e jovens em Osasco e em outras partes. E conclui a crônica com uma citação a Caetano Veloso, pertencente a um dos movimentos mais imbecilizantes que já houve no Brasil, a Tropicália. MPB é pura doutrinação revolucionária, é música de vagabundo. As crianças e jovens não querem ser vagabundos, por isso a densa melancolia que domina nos ambientes escolares, que deveria transbordar de alegria, se o Ministério da Educação não fosse uma cloaca fétida e desumanizante, impingindo a ética globalista às pessoas desde cedo. Acabarão decaindo para o crime.

    Que possamos dar menos (bem menos) Caetano Veloso às crianças e jovens, e mais (muito mais) Louis Vierne a elas, por exemplo. Caetano Veloso é um ponto do declive que vai descendo até chegar ao hip-hop e ao funk. Louis Vierne nos prepara para coisas sempre melhores, além de ser um preventivo para a falta de vida interior desde o presente.

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