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A política e o atletismo

A cada dia me convenço mais que a política é semelhante a algumas modalidades do esporte. É o caso, por exemplo, do atletismo. Muitos parecem encarar uma oportunidade (entenda mandato político) como uma prova de 100 metros rasos, quando acredito que ela está muito mais para uma maratona. A prova de 100 metros rasos é uma das mais importantes e com grande visibilidade no mundo do atletismo. Em olimpíadas, seus vencedores são normalmente chamados de os mais velozes do mundo. É uma modalidade que exige técnica, força muscular e controle corporal. Atletas dos 100 metros chegam a alcançar a velocidade de 40 km/h e percorrer a distância com pouco mais de 40 passos, quando uma pessoa comum o faz com cerca de 100. Nela, é preciso ser rápido e cada décimo de segundo perdido pode significar a derrota. Por outro lado temos a maratona, considerada a modalidade mais tradicional do atletismo. Nascida de uma lenda grega, a prova conta com mais de 42 quilômetros de distância. Força muscular e resistência cardiovascular são fundamentais para os maratonistas. As características das duas modalidades são, portanto, muito distintas. Na primeira o corredor quer chegar rápido ao seu destino, afinal, tem pressa! Não pode olhar para o lado, nem se distrair. Ele só tem foco em seu prêmio ou na possibilidade de conquistá-lo. Na segunda modalidade os apressados costumam se dar mal. Aqueles que saem em disparada atrás da premiação normalmente ficam pelo caminho. Atletas experientes conhecem a dinâmica da prova; negociam posições ao longo dela, sabem o momento de apertar o passo e de acelerar no trecho final. Na maratona, a observação dos concorrentes e a paciência são fundamentais. Ao contrário da primeira, na corrida de longa distância há muitas variáveis e não é preciso aproveitar a primeira oportunidade para ganhar. Não é incomum ver maratonistas sendo solidários com seus concorrentes. Alguns políticos parecem velocistas dos 100 metros rasos – são rápidos e não perdem tempo. Estão focados no prêmio ou na possibilidade deste. Mas no exercício da política, penso que é melhor ser maratonista; ir com calma, avaliar melhor os cenários, não ser afobado, planejar com atenção seus atos para não meter os pés pelas mãos. Uma carreira política bem sucedida é uma maratona e não uma prova de curta distância.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

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