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Aceite seus erros

“É errando que se aprende”. Quantas vezes não ouvimos ou falamos essa frase? Mas por que então continua tão difícil aceitarmos nossos erros?
Na teoria até entendemos que os erros são parte importante de um processo de aprendizado e desenvolvimento, mas na prática ainda o sentimos como um fracasso, uma incompetência.

E talvez esteja ai a nossa dificuldade em aceitar o erro. Essa dificuldade é na verdade de aceitar que somos imperfeitos, falhos, incompletos. É a nossa ferida narcísica.

Mas se analisarmos racionalmente chega a ser até absurdo imaginarmos que entre tantos desafios que a vida nos impõe, entre tantos obstáculos que aparecem em nosso caminho, entre tantas tarefas a se cumprir, consigamos sair bem em tudo. É absurdo pensar que não teremos dificuldades e erros em determinado momento. A vida é complexa demais para se acertar sempre. Tamanha complexidade que muitas vezes o erro é até mais provável que o acerto.

Um relacionamento amoroso, por exemplo, sempre que se acaba uma ou ambas as partes entende o término como um fracasso, como uma incapacidade de fazer dar certo. Mas se entendermos que uma relação se dá entre duas pessoas diferentes, cada uma com sua história e educação, cada qual com sua personalidade, famílias diferentes e realidades internas diferentes;  essa combinação, tão cheia de variáveis, tem sempre grandes chances de não dar certo. São muitas diferenças que precisam se harmonizar. Mas quando não se harmonizam não conseguimos analisar esse todo, já tomamos de imediato a culpa para nós.

Claro que devemos sempre trabalhar pelo acerto, mas precisamos repensar esse medo do erro, essa dificuldade em aceitar nossas falhas. Aceitar nossa incompletude nos torna mais humanos, pois quanto mais eu aceito meus erros, mais compaixão terei com o erro do outro. Precisamos entender que ninguém erra porque quer, mas porque naquele momento não soubemos como fazer melhor.

E mais importante ainda sobre nossos erros, é para onde eles nos levam, o que aprendemos com cada passo falso. É também pelo erro que crescemos. Ouvi recentemente em um filme a seguinte frase: “ A ruína é uma dádiva. A ruína é o caminho que leva à transformação”. E é exatamente assim que enxergo o erro. Ele pode transformar algo em ruinas, mas isso te permite uma nova construção, mais sólida que a antiga.

Pense por um momento: quem você seria hoje sem os seus erros? Onde estaria? Provavelmente muito do que você é agora, é resultado dos erros que cometeu. Como diz a canção: “E se eu for o primeiro a voltar para mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?”

Portanto, abrace seus erros, aceite-os como prova de alguém que está sempre tentando. Eles não te fazem menos, eles te fazem mais: mais humano e mais forte. Como sabiamente colocou Jung: “Muitas vezes me enganei e não raro tive que aprender tudo de novo. Mas sei – e por isso me conformei – que é só da noite que se faz o dia, e que a verdade sai do erro. […] Por isso nunca tive medo do erro, nem dele me arrependi seriamente. “

Sobre Carolina Giacomini

Carolina Giacomini é psicóloga formada em 2008 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Especialista em Psicologia Junguiana pela Pontifícia Universidade Católica (PUC). Para entrar em contato com ela: contato@carolinagiacomini.com.br ou www.facebook.com/psicologiacarolina/

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