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Anos 80, Paulão

As estações de rádio dos anos 80 eram exclusivas para música Norte Americana. Na periferia era comum ouvir Marvin Gaye, Al Green, Betty Wright, James Brown, e tantos outros.

Os finais de semanas eram regrados por bailes, estes, promovidos pelos próprios aniversariantes.  O bairro ainda não tinha luz elétrica, e muito menos asfalto. Durante a noite as pessoas acendiam velas para clarear as refeições.

No antigo Matarazzo, hoje, Parque dos Príncipes, tinham várias minas de água, era dali, que os moradores matavam sua sede.  A água era utilizada para tomar banho, lavar roupa e fazer comida.

Naquele tempo a vida era muito difícil, sem transporte público, sem nenhuma possibilidade de um mundo melhor e os olhos só alcançavam o favelário.

Foi nesse clima, que o jardim D’Abril conheceu o famoso bandido, que até hoje, ainda povoa aquele imaginário periférico. Todos tremiam de medo, só em ouvir falar o nome do sujeito.

Paulão era moreno, estatura mediana, dentes alvos, sorriso aberto, cabelo bem curto e barba feita. Usava calça jeans e camisa de manga curta, sempre bem passada, com vincos nas mangas.

A história começa com o radialista “Gil Gomes”, noticiando o terror que Paulão causava nas pessoas:

– Ele, Paulão, bandido de alta periculosidade!! Aterrorizou esta madrugada toda a população do jardim D’Abril, do Jardim Imperial e do jardim do Lago. Muitas pessoas já morreram sob a sua mira!

Seu Monteiro, antigo morador, certa vez disse:

– Deus me livre de encontrar esse homem, eu mijo nas calças só de ouvir o nome dele, prefiro ver o capeta!!

A iluminação chegou e as ruas ficaram bem claras, mas somente durante os primeiros meses, pois, cada lâmpada era alvo de tiros do mais temido bandido da região.

A fama e a maldade se espalharam pelos arredores, até o Xepa, que tinha uma quadrilha na Brasilândia, temia o Paulão.

Numa noite chuvosa, no mercadinho do senhor Roberto, aconteceu algo inusitado: Paulão, juntamente com seus comparsas, roubaram tudo que havia nas prateleiras, este data o primeiro crime cometido por eles.

No dia seguinte, desgostoso da vida, Senhor Roberto vendeu o mercadinho para uma família, que veio de lá da cidade de Acopiara.

Paulão estava feliz, pois sua investida havia sido concretizada com sucesso, desde então, centenas de roubos foram cometidos pela mais nova quadrilha.

No final de semana Paulão troca tiros com a Rota e se esconde na favela da dona Florinha, a partir desse acontecimento, surgem boatos de que ele foi morto. Passam-se meses e ninguém mais ouviu falar o seu nome.

 

Sobre João Antunes

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