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Aos 95 e a toda!

A longevidade é uma conquista humana tangível e inconteste. Não é preciso recorrer a Matusalém para fornecer exemplos de seres humanos que se tornaram anciãos, mas não perderam a lucidez, o dinamismo, a criatividade e a vontade de viver.

Poderia citar alguns dos meus queridíssimos amigos que integram a Academia Paulista de Letras, refúgio do que de melhor existe na espécie. “Gente de primeiríssima qualidade!”, pontifica a incomparável Lygia Fagundes Telles. Mas vou mencionar alguém de fora. Nome que se tornou marca, legenda, que se confunde com o que existe de beleza na moda, na perfumaria e que continua a investir na produção de móveis.

“Meus móveis são esculturas utilitárias” ele diz. Circula em Paris num Jaguar verde, mesma cor dos muros vetustos de sua maison de costura, ou do interior do restaurante Maxim’s, que pertence a ele. É a cor que trouxe sorte a este filho de agricultores venezianos, imigrados na França após a Primeira Guerra Mundial.

Mas neste final de verão de 2017, ele não precisa falar em sorte. Aos 95 anos, ele não hesita em afirmar: “Eu sou meu próprio sucesso!”. Inaugurou novo magazine de moda no dia 12 de outubro, na Rue Royale, em Paris.

Ele se orgulha de haver chegado em 1947 ao mesmo quarteirão e de ter sido o primeiro empregado de Christian Dior a abrir sua própria oficina de costura. Sobreviveu a nove presidentes da República Francesa e agora tem uma loja junto à Praça da Concórdia. “Nada mal para um provinciano!”.

Em janeiro de 2018, os móveis que ele criou serão vendidos pela Sothebys. Formas geométricas, cores pop e madeira laqueada, produzido na década de 70 com design futurista, hoje é muito disputado o mobiliário que ele desenhou. O autor de “Pierre Cardin”, um belo livro que retrata uma parte de sua vida, Jean-Pascal Hesse, assinala que “Pierre Cardin exige dos móveis que não sejam como os outros. Ele procura impacto, uma verdadeira presença”. O próprio Cardin diz que em 1975, quando procurava móveis para suas lojas, não encontrou aquilo que precisava. Então desenhou e confeccionou a linha de móveis que hoje é considerada obra de finíssima arte.

Ele é um exemplo de vitalidade. Aos 95, faltando apenas cinco para o centenário, diz “Eu não olho para trás, mas para a frente. Eu não quero copiar. Eu quero ser copiado. Eu crio para a juventude que virá!”.

É de lições de força de vontade, de entusiasmo pela vida, que precisamos para transmitir às novas gerações a certeza de que não há limites para aqueles que sonham. Prive-me de tudo, menos da capacidade de sonhar! Sem sonho não há vida que valha a pena ser vivida.

Sobre José Renato Nalini

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