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As férias e o pânico das mães que trabalham

Acho que uma das piores épocas do ano para as mães e pais que trabalham é o mês de julho, principalmente quando não conseguem tirar férias…

Somos pressionados por todos os lados com sugestões de passeios, shows, viagens, enfim, todos os tipos de programas que poderiam ser feitos nas férias se não fosse um mero detalhe: você NÃO TEM férias.

Eu, como várias mães por aí, comecei a me sentir muito culpada quando o Matheus, no auge dos seus três anos, perguntou porque os outros amiguinhos estavam de férias e ele continuava indo para a escola todos os dias. Meu coração foi apunhalado naquele momento. Apesar de na escola ter só recreação nesse período, tive a sensação de que estava fazendo uma coisa muito errada quando deixava ele lá e ia trabalhar.

“Meu Deus! Que droga de mãe que eu sou”, “Todo mundo passeando e ele lá”…

Movida pela culpa, replanejei tudo no meu trabalho para conseguir um dia de folga. O destino escolhido foi um parque de diversões. Achei que, por ser durante a semana, estaria tranquilo e já me imaginava com ele e algumas crianças brincando muito.

Chegando lá, logo percebi que estava muito enganada. Parecia que todas as mães do universo tiveram a mesma ideia que eu naquela quinta-feira a tarde. Filas, filas e mais filas…

Bebês e crianças por todos os lados. Choro, gritos, birra e correria faziam parte desse cenário.

Quando me dei conta que não tinha muito o que fazer, resolvi aceitar aquela situação e parar de sofrer.

Fomos empurrados, levamos trombada de outras crianças, dei muito mais colo nas filas do que dei a semana passada inteira, escutei muito mais choro do que o normal, ousei perder a paciência em alguns momentos, tive que fingir que não estava me incomodando com a falta de educação de algumas crianças que ficavam impacientes com a demora para brincar, entre um brinquedo e outro me esforçava para tentar resolver uns pepinos do trabalho, enfim…

No final das contas o passeio estava com muito mais coisas contra do que a favor mas bola para frente, resolvi me jogar com o meu pequeno. Na medida do possível, tentamos aproveitar ao máximo e ficamos lá até o parque fechar.

Na volta para casa eu estava completamente exausta. Enquanto eu arrumava o Matheus na cadeirinha do carro, ele me solta: “Mamãe, eu gosto muito de passear com você!” e me abraçou. E como em um passe de mágica, parece que todo aquele cansaço sumiu.

No fundo, ele me mostrou que conseguiu enxergar naquele passeio muito além do caos que eu tinha visto. Enquanto eu vi um monte de coisas que não eram exatamente como eu tinha imaginado, ele estava curtindo o tempo todo que estivemos ali.

Mais uma vez meu filho me mostrou que o tempo que conseguimos passar juntos é mais importante do que qualquer outra coisa… Principalmente do que o caos das férias de julho.

Sobre Paloma Bueno

Paloma Bueno é escritora, produtora e criadora do projeto Filhos.com.
Atualmente tenta dividir o tempo entre o trabalho como coordenadora de produção na RedeTV, os cuidados com a casa, o principal papel de todos, que é ser a mãe do Matheus!

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