Home / Colunistas / Comprando experiência

Comprando experiência

Ao ler a entrevista de um empresário brasileiro sobre os caminhos do país e seu desejo de colaborar para a transformação da sociedade, chamou-me a atenção um comentário acerca das mudanças nos costumes de consumo da população.

Segundo o entrevistado que atua na produção de chocolates, o brasileiro está mudando seu paladar e tomando gosto por chocolates menos doces, com sabor mais intenso, um movimento semelhante ao que ocorreu com o vinho nos anos 80 e 90. A partir de então, o consumidor comum, mais acostumado ao vinho doce, foi se sofisticando e compreendendo os diversos tipos de uvas e suas características específicas. Ainda segundo o empresário, processo idêntico ocorre com o café. Antes consumida completamente doce, a bebida já é apreciada sem o açúcar, além da preferência que muitos têm por diferentes grãos, regiões de produção, formas de preparo e ambientes para sua apreciação, como as modernas cafeterias.

Em sua entrevista, o empreendedor também destacou que as pessoas “não querem mais trocar dinheiro por produto, mas por experiência e conhecimento”. Essa mudança conceitual na postura de muitos tem chamado a atenção. Em recentes viagens com a família e, considerando que ficaríamos, em alguns casos, apenas um único dia em determinadas localidades, optamos por novas modalidades de hospedagem, numa espécie de “mix” com as já existentes. O resultado é exatamente a sensação de estar comprando uma experiência. Hospedar-se, por exemplo, em uma casa de família e dividir, com ela, todos os espaços comuns da residência, pode ser algo estranho e desconfortável no princípio, mas que pode se converter em um aprendizado interessante para todos. Isso aconteceu em Florianópolis.

Em outro caso, desta vez num chalé no município paulista de Cunha, região da Serra da Bocaina, recebemos a sugestão de uma anfitriã acerca de um restaurante no Mercado Municipal, onde é servida uma comida caseira de preço acessível e onde os trabalhadores e moradores da roça costumam almoçar quando na cidade. Construção antiga com o pé direito alto, salão apertado, ambiente rústico e mesas coletivas. Junte a tudo isso a companhia de gente simples e o cheiro da cozinha já percebido da rua. O prato servido é o tradicional “PF” com três opções – porco, frango ou boi. “Pensa na comida da vovó.”

Foi isso o que encontramos! E retornamos no dia seguinte, como não poderia deixar de ser.

Concluímos, ao final de algumas dessas “aventuras”, que não compramos simples produtos ou serviços, mas experiências. E isso não precisa, necessariamente, ser caro, muito pelo contrário! Entretanto, uma condição é fundamental – estar aberto a novas possibilidades.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.Campos obrigatórios são marcados *

*

Para topo
mayson_danette@mailxu.com