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E se ele for gay?

Como vocês sabem, tenho um filho de 3 anos e já perdi a conta de quantas vezes tive que responder à pergunta: “Mas, e se ele for gay?”. No começo, não entendia muito bem o que as pessoas estavam querendo dizer. Achava o questionamento confuso e sem propósito. A resposta sempre saiu como um singelo: “nada” mesmo sem ter certeza de que a pergunta precisava de uma resposta pois nunca fiquei pensando nisso.

Porém, em uma dessas vezes, meu interlocutor não se conformou com a resposta e insistiu por uma explicação: “Como assim NADA? E se ele for gay? O que você vai fazer?”… Fiquei parada, teimando em acreditar no que estava vendo diante dos meus olhos… “Você não vai botar para fora de casa? Não vai dar uma surra porque isso é falta de vergonha? Não vai levar em um psicólogo?”. Enquanto eu ficava cada vez mais sem ação, a lista enorme de perguntas, não parava de crescer. Juro por Deus que nunca fiquei pensando nisso. Para mim, ficar perdendo tempo pensando o que eu vou fazer se ele for gay é a mesma coisa do que ficar pensando o que eu vou fazer se ele for canhoto. Ou seja, é uma característica dele que vai além da minha expectativa ou opinião.

Não importa o que eu prefira ou sonhe. É lógico que algumas coisas me preocupam mas, sinceramente, se ele será gay não é uma delas. Me preocupo mais se ele vai ter um bom caráter, se ele não será um desses machistas escrotos, se ele será uma daquelas pessoas capazes de qualquer coisa para se dar bem, se ele será uma pessoa gentil com os outros, entre outras coisas. São essas coisas que me tiram o sono quando penso no rumo que a vida dele pode tomar daqui há alguns anos. São coisas relacionadas à cárater. Me esforço ao máximo para ser um bom exemplo para ele e tenho plena consciência de que mesmo assim as coisas podem fugir do planejado e acho é que com isso que as pessoas deveriam se preocupar.

Acho que não por um acaso, as pessoas que andam mais preocupadas do que eu mesma com a sexualidade do meu filho, passam bem longe da ideia de um bom exemplo. Um traí a esposa sem o menor escrúpulo, outra deu um golpe na própria família por causa de dinheiro, outro tira “um por fora” nas negociações que faz pela empresa, enfim… E esse é só o começo da lista.

Infelizmente, para a decepção dos fuxiqueiros de plantão empolgados com a liberação da “cura gay”, a minha resposta para a pergunta continuará sendo “NADA” porque, independente do que eles achem, aqui nunca faltará amor para pessoas de bem, sendo meu filho ou não.

Sobre Paloma Bueno

Paloma Bueno é escritora, produtora e criadora do projeto Filhos.com. Atualmente tenta dividir o tempo entre o trabalho como coordenadora de produção na RedeTV, os cuidados com a casa, o principal papel de todos, que é ser a mãe do Matheus!

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