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Eu era feminista até virar mãe

Desde pequena, sempre defendi o feminismo em todas as suas formas. Acreditava piamente que o lugar da mulher era no mercado de trabalho, liderando empresas, conquistando o mundo sozinha. O conceito de Amélia, para mim, era uma coisa ultrapassada e totalmente sem sentido.

Até que meu filho nasceu e tudo mudou.

Sim, até minha relação com o conceito de feminismo ficou diferente depois disso.

Concordo plenamente que as mulheres tem que ter o mesmo direito que os homens, em tudo. Porém também acho que devemos respeitar nossas diferenças, principalmente quando os filhos entram nesse meio.

Se falando em direitos e deveres iguais, um filho exige muito mais da mãe do que do pai. Mesmo que o pai seja participativo, troque as fraldas, acorde nas madrugadas ou dê os banhos, o pai nunca poderá engravidar ou amamentar no lugar da mãe, por exemplo.

Quando a criança está doente, a primeira pessoa que geralmente chama é a mãe. Seja no meio do expediente profissional ou durante a madrugada, essa é a primeira opção de colo. E isso é o andamento natural das coisas.

Não quero dizer que o feminismo não tenha importância mas acho que muitas vezes esquecemos de respeitar nossos próprios limites.

A mulher conquistou o direito de trabalhar, votar, estudar e tudo isso é fantástico. Porém, mesmo assim é cobrada pela sociedade por ser a total e exclusiva responsável pelos filhos e pela casa. Tem que dar conta de tudo e não pode reclamar, nunca.

O bebê nasce e as mães vão abrindo mão de uma coisa atrás da outra enquanto os pais mal sentem esse peso. Para eles a vida continua. Afinal, a mãe é responsável pela casa e foi inventar de querer trabalhar fora, né?

E quando decide por abrir mão da carreira para se dedicar aos filhos vira uma “dondoca”, “alguém que não faz nada o dia inteiro” ou “que quer ser sustentada pelo marido”.

A sociedade em si é implacável. Isso não é novidade. Porém o feminismo poderia ser mais flexível com as mães. Tentamos em vão trabalhar como se não tivéssemos filhos e cuidar dos filhos como se não tivéssemos que trabalhar.

Cuidar de filho dá trabalho, muito trabalho. É muito mais complexo do que a grande maioria das pessoas imagina e exige muito tempo e energia. Por isso mesmo, não vou mais “brigar” para ter a ilusão dos mesmos direitos e deveres mas sim para que as diferenças sejam respeitadas.

Sobre Paloma Bueno

Paloma Bueno é escritora, produtora e criadora do projeto Filhos.com.
Atualmente tenta dividir o tempo entre o trabalho como coordenadora de produção na RedeTV, os cuidados com a casa, o principal papel de todos, que é ser a mãe do Matheus!

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