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Líderes em extinção

Ao tratar da importância dos filhos em um dos Salmos bíblicos, o salmista afirma que eles “são como flechas nas mãos do guerreiro, e feliz é o homem cuja aljava (coldre ou bolsa) está cheia deles”. Uma flecha vai muito além do arqueiro e alcança onde ele não pode chegar. Da mesma forma são os filhos que, lançados na vida pelos pais, devem ir muito além deles; alcançar e conquistar o que os primeiros não puderam realizar. Cresci aprendendo a aplicar esse entendimento também em relação a liderança – verdadeiros mestres (pais) se empenham para que seus seguidores (filhos) vão além deles. Despojados da vaidade, bons líderes não se iludem com a exclusividade do brilho, pois conhecem sua fragilidade e, por isso mesmo, não monopolizam o conhecimento. Eles sabem que a transferência do saber é fundamental para que seu exemplo e ensino sigam adiante. Bons mestres também reconhecem o momento de parar; identificam quando é chegada a hora de diminuir a sua luz e acentuar a do discípulo (aprendiz, aluno receptivo a ensinamentos). Mas é preciso muita nobreza de espírito, humildade e coragem para tanto. Tal postura é apenas para os fortes. Evidente que a sociedade egoísta em que vivemos não estimula esse tipo de liderança. Para alguns pode parecer coisa de monges. No mundo corporativo, no sistema acadêmico e no universo político, os verdadeiros mestres parecem espécies em extinção. Se é que eles ainda existem nestes setores. Estamos empobrecidos de bons exemplos. Faltam verdadeiros líderes. Há uma grande lacuna de reserva moral. Mas antes de sairmos criticando e culpando os políticos pelos males do mundo e da vida, que tal olharmos com sinceridade para nós mesmos? Qual o meu e o seu papel diante dessa realidade? Que tal uma autocrítica?

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

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