Home / Colunistas / Longo caminho a percorrer

Longo caminho a percorrer

Circula nas redes sociais, uma matéria em vídeo acerca de uma característica importante dos dinamarqueses, que eles chamam de confiança social. Dentre outros produtos dessa consciência coletiva, é possível, por exemplo, que alguém vá até um pequeno comércio, pegue os itens que precisa e realize o pagamento sem a vigilância de ninguém. A contratação de um funcionário, neste caso, sairia mais caro que eventuais furtos ou roubos. Daí se pode deduzir o nível da segurança nas relações sociais daquele povo. O material que circula nas redes traz outras inúmeras particularidades desse país do norte europeu, cuja confiança coletiva permeia a cultura local. Segundo pesquisas, 75% dos dinamarqueses confiam em seus compatriotas, enquanto no Brasil esse índice é de 5%. Atente para o fato de que não se trata de confiança em políticos, mas na própria população. Cidadãos que cumprem com suas obrigações, mesmo sem a necessidade de vigilância permanente, são produto de um sistema que vem sendo aperfeiçoado há muito tempo. Segundo estudiosos, essa característica regional tem suas raízes nos códigos de conduta dos “vikings”, antiga civilização escandinava, há mais de 10 séculos. Outra versão aponta para posturas de governos mais recentes, que teriam começado no século 17. Esse comportamento que, antes de coletivo, é pessoal, começa com uma mudança de postura, uma decisão individual. Tenho reparado, em meus deslocamentos diários, no grande número de condutores, especialmente de motoqueiros (mas não apenas estes) que têm avançado os semáforos vermelhos indiscriminadamente. A ausência de fiscalização e monitoramento é a razão principal para essa postura maléfica, que coloca em risco tanto infratores quanto terceiros.

A vida coletiva exige uma ordem social e o desenvolvimento e equilíbrio desse sistema são diretamente afetados pelo nível de consciência dos seus integrantes. Deixar de obedecer normas e regras pelo fato de não estar sob vigilância é forte indício de doença social, e revela a enorme distância que, como sociedade, ainda temos que percorrer.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.Campos obrigatórios são marcados *

*

Para topo
eisenberger_324@mailxu.com