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Me chame pelo seu nome

O charmoso pesquisador Oliver (Armie Hammar) de 24 anos, chega à casa de férias do Professor Perlman (Michael Stuhlbarg) para um estágio de seis semanas durante o verão. Para a família, a visita não representa nada de mais – afinal já estão acostumados com estas companhias temporárias. Para Elio (Timothée Chalamet), um garoto de 17 anos, filho único dessa família americana com ascendência italiana e francesa, a mudança começará cedo a mexer com sua rotina. Primeiro, será deslocado de seu quarto para dar espaço ao hóspede. Depois, a presença do recém-chegado também passa a interferir em suas relações com as meninas das redondezas e os amigos.
Já de início Oliver desperta inquietação em Elio, lhe causa inveja, ciúme, desejo. O adolescente não sabe o que está sentindo, mas também não está disposto a perder tempo com indagações que não levam a lugar nenhum. Nesse meio tempo Elio passa a ficar por perto do atraente estagiário. Decide acompanha-lo às visitas ao vilarejo, durante os banhos de rio e está ao seu lado nas horas das refeições. Entre a dúvida e a confirmação dessa onda de sentimentos, é preciso agir. As cartas estão na mesa, não há mais tempo para dissimulações e desencontros. Juntos ambos viverão uma experiência aonde não sairão mais os mesmos.
A produção é uma parceria entre diversos países. O produtor é o brasileiro Rodrigo Teixeira. A direção fica nas mãos do italiano Luca Guadagnino. E o elenco conta em sua grande parte com nomes americanos: Timothée Chalamet (Elio), Armie Hammar (Oliver), Michael Stuhlbarg (Mr. Pearlman), Amira Casar (Annela Pearlman), Esther Garrel (Marzia) e Victoire Du Bois (Chiara).
Ambientado nas encantadoras paisagens italianas, o longa traz um quê de sensualidade, explorando bastante os corpos desnudos de ambos, que passam boa parte das cenas sem camisa, molhados, expelindo feromônios. (Há a resalva de não se confundir, sensual com sexual, as cenas de intimidade não são retratadas de maneira explícita). Porém, o encanto entre os dois rapazes vai além da superfície. E ao invés de destruir ou separar, o que é bonito serve para unir, aproximando os protagonistas. O filme começa a tomar forma a partir do primeiro beijo entre os dois – fica palpável o desejo entre ambos, a voracidade. Os atores retratam essas emoções de forma tão aflorada, que nós viramos cúmplices deste relacionamento, visto de maneira próxima e natural.
Outro ponto a se destacar é a beleza do roteiro em contar uma história de amor convencional, com a “diferença” no protagonismo de dois homens, distante da maioria dos outros romances que temos em qualquer tipo de narrativa. A paixão que aparentemente é construída entre eles, serve de reflexão para a ideia de relacionamento em si. Não há diferença do amor dos dois com um amor hétero.
“Me Chame Pelo Seu Nome” estreia no Brasil dia 18 de Janeiro. Com diversas indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA, o filme está bem cotado para o Oscar deste ano. É um longa comovente e envolvente sem precisar de qualquer tipo de apelação. Uma história de amor em sua mais pura forma.

Dica

O filme é baseado na obra homônima do autor egípcio André Aciman, de 2007. Áqueles que se apaixonaram juntos com Elio e Oliver, vale muito a pena a leitura. Enquanto o filme termina em um ponto, no livro a história se prorroga por um pouco mais de tempo. Uma forma de ampliar sua perspectiva sobre esta fascinante história de amor.

Sobre Patricia Naresse

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