Home / Colunistas / Mentes brilhantes

Mentes brilhantes

Embora o Brasil não seja pródigo em relação ao mecenato e ao voluntariado, há excelentes experiências em curso e que precisam ser disseminadas, para uma contaminação saudável de outras consciências sensíveis.

Uma delas é o projeto de xadrez “Mentes Brilhantes”, desenvolvido pela Fundação Arcelor Mittal, como parte da estratégia de incentivo à educação científica. É o foco na STEM, sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, justamente os setores em que o Brasil precisa avançar para alcançar os níveis de Países do Primeiro Mundo.

O processo começa com a formação de monitores, escolhidos dentre os profissionais da educação, por meio de oficina. Estes repassam os ensinamentos a alunos entre 8 e 12 anos, que, por sua vez, também serão multiplicadores do esporte. O xadrez sempre foi considerado um instrumento valioso de desenvolvimento de atributos nem sempre contemplados no ensino convencional. Exige disciplina, dinamismo, esforço intelectual e concentração. Por isso é que o jogador de xadrez desenvolve avanços no aprendizado que resultarão em adultos mais aptos a vencerem os desafios da contemporaneidade.

O uso terapêutico do xadrez é muito conhecido. É uma prática atraente, seja pela simbologia de suas peças, a complexidade de seus movimentos, tudo de maneira a despertar o fascínio de crianças, jovens e adultos. Ele constitui a porta de acesso a outras potencialidades desejáveis, como o autocontrole, o autoconhecimento, a paciência, a flexibilidade. O jogador de xadrez é obrigado, de forma prazerosa, a estimular a eficiência sob pressão, a pensar antes de agir, a lidar com o fracasso.

O Gerente Geral de Meio Ambiente da Arcelor Mittal, Guilherme Abreu, joga xadrez desde os seis anos, incentivado pelo pai. Aos treze venceu o primeiro campeonato escolar e aos vinte e dois foi campeão capixaba. Continua a jogar e atribui ao xadrez o progresso em raciocínio lógico, a facilidade para aprender disciplinas vinculadas às ciências exatas, além de aumentar o conhecimento em outros idiomas. Consegue aplicar os princípios e posições do xadrez no trabalho, quando precisa definir estratégias de negócio, como defesa dos pontos fracos, valorização dos ativos e análise de riscos.

Considera o xadrez um ótimo exercício cerebral, capaz de retardar enfermidades como o mal de Alzheimer. Aperfeiçoa aspectos sociais e cognitivos como o reconhecimento de regras e a construção de hipóteses, tanto pelo contato visual durante o jogo como pelo foco e atenção direcionados a uma atividade específica. Lapida valores como cooperação e socialização.

Classificado como esporte, arte e ciência, o xadrez é atividade que, inserta no currículo escolar, ajuda a aprimorar o raciocínio abstrato, importantíssimo para a formação de mentalidade adulta. Daí o convite da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo: os enxadristas não querem se aproximar de nossas Escolas e trazer um pouco desse prazer para motivar nosso alunado a se interessar também pelo xadrez e apoderar-se de todos os benefícios que sua prática acarreta?

Sobre José Renato Nalini

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.Campos obrigatórios são marcados *

*

Para topo
sianez@mailxu.com