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Meu filho tem a mania de morder as pessoas. Como mostrar a ele que isso é errado?

Tenho recebido muitas perguntas e pedidos de ajuda por parte dos pais em relação a criação dos filhos e as muitas fases, portanto, estarei respondendo nas colunas para ajudar outros tantos na grande tarefa de educar. Como pais, ficamos apavorados com as rápidas mudanças no comportamento dos filhos e em muitos casos ou fases, acabamos ficando perdidos sem saber o que fazer diante de tantas novidades.

A mordida da criança é apavorante para os pais daquele que está mordendo como para os pais da criança que recebe uma mordida. O que e como fazer para ensinar a criança a não morder e a proteger seus filhos…

É até esperado que as crianças façam isso até os 3 ou 4 anos de idade, mas os adultos não podem permitir que mordam, porque machuca e é errado. No momento em que seu filho morder um coleguinha ou qualquer outra pessoa, use a boa e velha conversa com olhos nos olhos. Fique na mesma altura que a criança e fale firmemente que isso não pode e nem deve mais acontecer porque machuca e dói. Os pais têm de deixar claro que não aprovam o comportamento porque, mesmo elas não tendo noções claras de certo e errado, não podem fazer tudo que querem.

Importante ressaltar que isso não significa que o comportamento não vá se repetir, mas todas as vezes em que isso ocorrer é necessário deixar clara sua posição. Agora, se acontecer com frequência, toda semana, por exemplo, significa que a agressão está se tornando um hábito e é preciso buscar a ajuda de um profissional.

Por sua vez as crianças nesta fase não possuem habilidade linguísticas necessárias para expressar necessidades importantes ou fortes sentimentos como raiva, frustração, alegria entre outros. Morder é um substituto para as mensagens que ela ainda não pode expressar. Isso também pode acontecer quando estão oprimidos por sons ou níveis de luz inadequados. Vale sempre estar atentos aos detalhes.

Na fase oral é explicada pela psicanálise por Sigmund Freud que a mordida é um dos mais primitivos estágios do desenvolvimento infantil, e é quando a criança acredita que o mundo funciona e existe por sua causa. Dessa forma tudo que deseja precisa ser prontamente atendido e quando isso não ocorre… morde!

Outros fatores pode ser o excesso de cansaço, início da dentição, necessidade de estimulação oral, obter de forma rápida algum objeto, entre outros. Ao perceber que a criança está prestes a morder distraia com um brinquedo ou outro objeto, peça que olhe para  janela ou chame-a para dar passeio pelo local ou fora dele. O objetivo é reduzir a tensão e desviar a atenção da criança. Sugira a criança que poderá lidar com a situação de outra forma, sem a necessidade de morder. Você poderá dizer, por exemplo, que se ela quer um brinquedo de outra criança poderá pedi-lo!

Se estiver relacionada a fase de dentição, ofereça mordedores apropriados ou alimentos que possa morder. É importante sempre propor formas de se comunicar, o objetivo é transformar a atitude corporal em linguagem. Essa atitude precisa ser ensinada desde cedo, para que não cresçam e mantenham essas atitudes para conseguir o que querem.

SE A MORDIDA OCORRER O QUE FAZER?

Primeiramente mantenha a calma e controle seus sentimentos, há vários motivos para criança morder como já descrito;

Mostrar a importância do respeito e do tratar bem o amigo que ficou triste por ter sido mordido;

Utilize um tom firme para dizer “Não” e que “Morder dói”;

Mudar o foco da atenção para acolher a criança que foi mordida, isso também demonstrará para criança que mordeu que essa atitude não resulta em mais atenção;

Explique o que a criança poderá fazer da próxima vez ao invés de morder;

Entenda que aprender um novo comportamento pode levar tempo, ou seja, a criança poderá apresentar a atitude de morder novamente, você deverá continuar acompanhando de perto e estimulando a linguagem;

Se perceber que a mordida foi ocasionada por sentimentos como raiva, oriente a criança a expressar esse sentimento de outras formas como “pular”, “imitar um leão”, ou outras coisas que são aceitáveis;

Algumas crianças apresentam maior sensibilidade ao som, luzes e excesso de estímulos, o que poderá resultar em mordida, neste caso reduza as luzes, diminua o volume da televisão ou rádio, oriente os profissionais envolvidos no cuidado com a criança sobre o excesso de estímulo sensorial;

Dê a criança um “urso” para abraçar quando perceber que está apresentado estresse ou agitação a ponto de morder, isso poderá sentir-se reconfortada;

Atenção especial precisa ser dada, quando as crianças apresentam mordidas frequentes, podem representar insatisfação, ansiedade, sentimento de rejeição, entre outros. Se apresentar esse comportamento na escola, é importante acompanhar com os professores e buscar ajuda de um psicólogo;

A criança quer foi mordida poderá apresentar hematoma na região, utilize uma compressa fria no local, tomando cuidador para não resfriar demais a pele e causar lesão. Também podem ser utilizadas compressas frias de chá de camomila, que diminuem a vermelhidão e acalmam a pele.

Dicas para os pais

– Conversa é a melhor saída em todos os casos

– As duas crianças devem ser acolhidas pelos pais e escola

– Nunca se deve incentivar o revide

– Seja firme e claro com as palavras

– Use o rosto e as mãos para se expressar

Lembre-se que ter filhos exige muita paciência e amor, afinal, ninguém é perfeito e somos eternos aprendizes, assim como todas as crianças. Tenha um dia abençoado!

Sobre Gilson Biondo

Conselheiro Tutelar e é palestrante em todo Brasil sobre Promoção, Prevenção e Garantia de Direitos na área da Criança e do Adolescente, mas, tem formação como Psicanalista Clinico, Administrador de Empresas, Bacharel em Teologia e é Escritor de 37 livros. No terceiro setor atua como Diretor-Conselheiro voluntário na ACM (Associação Cristã de Moços), como Diretor Social e Cultural voluntário da APFESP (Associação Pró-Família do Estado de São Paulo) e tem um projeto humanitário e evangelístico nos 32 vilarejos mais pobre do Brasil no sertão brasileiro. Para entrar em contato com ele: www.gilsonbiondo.com.br ou www.facebook.com/gilsonbiondo

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