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Não, eu também não dou conta

Outro dia, quando parei na farmácia na volta do trabalho com o meu filho para comprar uma lata de leite em pó, escutei da atendente que trabalha lá há um bom tempo: “Nossa, queria ser uma mulher igual à você”. Não entendi a colocação e perguntei sobre o quê, exatamente, ela estava falando. Ela explicou: “Você trabalha, deve ser ocupada, tem um filho pequeno que tá sempre arrumadinho, passa aqui sempre tarde da noite e aposto que dá conta de tudo”. Dei um sorriso sem graça e fui obrigada a admitir: “Eu não dou conta. Essa lata de leite que vim comprar agora, era para eu ter comprado ontem porque acabou anteontem mas eu esqueci… Consegue imaginar o caos que está na hora da tetê?”.
Ela riu e percebeu que tínhamos mais coisa em comum do que podíamos imaginar. E acho que essa é a realidade de várias mães. O Matheus já passou dos três anos e depois de tentar (muito) me desdobrar para dar conta de tudo, estou caindo na real de que é simplesmente impossível quando se tem filhos pequenos e, entre nós, não devemos nos torturar por isso. A lista de tarefas de uma mãe parece que nunca tem fim.
A minha casa nunca mais ficou arrumada, sempre tem brinquedos jogados, vivo esquecendo de pagar uma conta ou outra, sou capaz de dormir em pé de tanto cansaço, estou sempre correndo porque vivo atrasada, já esqueci da reunião de pais da escolinha, não lembrei de comprar a fruta preferida dele quando estava no mercado, já me atrapalhei toda na hora de fazer a papinha e tive que começar tudo do zero quando ele estava com fome, já perdi a paciência várias vezes e por aí vai… Desde que meu filho nasceu tenho a sensação que estou sempre correndo (alucinadamente) contra o tempo.
Um bebê demanda muito tempo e atenção, sendo assim, com o que sobra de tempo (que é muito pouco), você tem que correr igual a uma louca para dar conta de todo o resto. E vamos deixar claro que quando estamos falando de todo o resto, isso não inclui extravagâncias, estamos falando de coisas básicas como comer, tomar banho e dormir. E quando mal se tem tempo para essas necessidades, algumas coisas como manter a casa arrumada, por exemplo, nem tem como ser a prioridade… E temos que aprender a aceitar isso. Como disse, para mim também foi (e ainda é) muito difícil admitir que não tem como dar conta de tudo.
Uma coisa ou outra vai passar e tudo bem. Não dá para fazer desses pequenos lapsos o fim do mundo. Ainda mais quando se tem uma criaturinha que precisa de você o mais disposta possível. Maternidade é tentativa, erro e adaptação. Isso tudo faz parte. Por isso digo que fui uma mãe perfeita só até meu filho nascer…

Sobre Paloma Bueno

Paloma Bueno é escritora, produtora e criadora do projeto Filhos.com. Atualmente tenta dividir o tempo entre o trabalho como coordenadora de produção na RedeTV, os cuidados com a casa, o principal papel de todos, que é ser a mãe do Matheus!

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