Home / Correio2 / Cinema / O estranho que nós amamos

O estranho que nós amamos

O filme rendeu um prêmio a Sofia Copolla no Festival de Cannes, Retrata os desejos femininos de forma leve e com um quê de inocência. O filme estreia no dia 10 de agosto

 

Virgínia, 1884, três anos após o início da Guerra Civil, John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União, que ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para o local aonde mora, um internato feminino gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá as moças decidem cuidá-lo, para após sua recuperação entregá-lo às autoridades. Porém aos poucos, a presença daquele homem aflora desejos, ciúme e ódio nas habitantes do local. Sendo o soldado tratado como o “bendito fruto”.
O projeto é baseado na obra “The Beguiled” de Thomas P. Cullinan (1966), e na releitura do filme homônimo do diretor Don Siegel em 1971. Na primeira versão cinematográfica, a história foi contada pela percepção masculina do combatente, interpretado por Clint Eastwood. Sofia Copolla (diretora deste novo longa) em sua adaptação coloca o foco voltado mais as mulheres da casa, claro deixando ainda o soldado como elo principal, mas sempre sendo retratada pela sensibilidade feminina.
Ao fazer essa inversão de ponto de vistas, a diretora ganhou boa receptividade. Porém recebeu duras críticas nas demais alterações como a retirada do irmão falecido (fato que unia a primeira à segunda parte do enredo), e principalmente o fato dela ter excluído as personagens negras da versão original, ao qual sua justificativa foi que não queria tratar o tema racial de “maneira leve” – o que não faz sentido, pois este não é um filme leve.
O elenco vem com nomes de peso, e jovens promessas. O soldado John McBurney será interpretado por Collin Farrell, Martha Farnsworth será vivida por Nicole Kidman, ganhadora do Oscar de melhor atriz por “As Horas” em 2003 e três vezes premiada com o Globo de Ouro, também por “As Horas” em 2003, “Moulin Rouge” em 2001 e “Um Sonho Sem Limites” em 1996.
Kirsten Dunst dará vida à professora Edwina, Elle Fanning será Alicia. As demais meninas do internato serão interpretadas pelas atrizes Oona Laurence, Angourie Rice, Addison Riecke e Emma Howard.


O filme é um onde à excitação e a maneiras como ela consegue se impor em situações adversas, e romper estruturas sociais quando indomada. Na disputa pela atenção do soldado, as mulheres já não respeitam mais seus papéis de matriarca, professora e alunas. Com cenas agressivas explícitas e closes nos ferimentos, porém com conservadorismo nas cenas de luxúria (sendo retratadas com beijos de amor e flertes inocentes, ao invés da intensidade carnal). Isso levanta uma questão um tanto interessante: Por que violência pode e sexo não?
Com estreia dia 10 de Agosto no Brasil “O Estranho Que Nós Amamos”, já foi exibido no Festival de Cannes, rendendo o prêmio de melhor direção à Sofia Copolla. É interessante no que se refere ao olhar para as personagens e desejos femininos. Entretanto é menos quando poderia ser mais. Isto devido a seu excesso de formalismo, e o aspecto como ignora temas considerados tabus, em uma história ao qual se encaixariam perfeitamente.

Sobre Patricia Naresse

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.Campos obrigatórios são marcados *

*

Para topo
stafford.lizabeth@mailxu.com hermanns