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O grude que começou a perder a cola…

Desde que o Matheus nasceu, somos grudados. Costumo brincar que ele é minha sombra. Desde os primeiros dias de vida, tudo é a “mamãe”. Se saio do campo visual dele, a manhã começa. Os lábios se contorcem, a testa franze e começam os resmungos. Vocês sabem bem como é… Por conta da nossa rotina e da forma como acabei me organizando, se eu não estou trabalhando, estou com ele. É minha companhia para ir ao mercado, limpar a casa, ir ao cabeleireiro, encontrar as amigas. Eu também sempre fui a companhia preferida dele para brincar, ir ao teatro, assistir desenho, passear. E vivemos muito bem assim até hoje.

Para ser sincera, por mais que eu reclamasse do grude, tenho que confessar que no fundo, nunca me senti tão amada e tão indispensável na vida de alguém. Até que nessa semana, depois de um longo dia no trabalho, o Matheus pediu para irmos dar uma volta pelo condomínio como fazemos sempre. Peguei nosso cachorro e saímos andando. De repente, ele avistou outras crianças brincando. Virou para mim e soltou: “Mamãe, pode me esperar aqui, tá?”. “OI? COMO ASSIM?”. Eu devia ter ouvido errado. Ignorei o pedido e continuei andando ao lado dele muda. Ele me olha dos pés a cabeça e solta novamente: “Mamãe, me espera aqui. Não tem nenhuma mamãe brincando”. Fiquei sem chão. Mesmo que não tivesse outra mãe por perto, ele sempre queria a minha companhia. Paralisei. Com a sensação de quem acaba de ter um coração partido, fiquei ali onde ele pediu, apenas observando de longe. E ele me olhando de rabo de olho, só para ver se eu não me aproximava mesmo, curtindo seu pequeno grito de “independência”.

Um filme passou pela minha cabeça. Lembrei de todos os momentos desde que ele nasceu em que, por cansaço ou stress, eu desejava que a fase em que ele estava tão dependente passasse rápido. Me senti a pior mãe do mundo por isso. Lembrei das dificuldades para amamentar, das crises de cólicas, do desfralde, das longas madrugadas em claro, da introdução alimentar que voava papinha pela cozinha inteira… Fui virando só arrependimento… Quando estamos no “olho do furacão” muitas vezes não conseguimos nos dar conta que mesmo esse caos é repleto de amor. Que essa dependência que tanto nos esgota é a mesma que cria laços eternos. Nos primeiros anos de vida dos nossos filhos custamos a perceber que somos o mundo deles.

Geralmente isso começa a acontecer quando o grude começa a perder a cola…

Sobre Paloma Bueno

Paloma Bueno é escritora, produtora e criadora do projeto Filhos.com. Atualmente tenta dividir o tempo entre o trabalho como coordenadora de produção na RedeTV, os cuidados com a casa, o principal papel de todos, que é ser a mãe do Matheus!

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