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Pais que não acompanham a vida escolar dos filhos, cometem crime!

No que se refere a criança e ao adolescente o crime de abandono intelectual visa proteger os menores sobre sua instrução fundamental, bem como o acesso à educação de base, transferindo a responsabilidade da condução do filho à escola a seus genitores ou responsáveis legais. Em síntese, a educação dos filhos menores é uma preocupação do Estado, transformando em crime a omissão de seus responsáveis, pois a educação básica facilita o convívio social. A Constituição Federal garante a “educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade” (art. 208, I, da Constituição Federal e mais claramente no art. 249 do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente), informando o dever da família em assegurar à criança e ao adolescente o direito à educação. A missão do Estado é disponibilizar e incentivar o ensino. No entanto, cabe aos pais, cumprindo os deveres que são inerentes ao poder familiar, dirigir a criação e educação dos filhos menores.

A inversão de valores trouxe uma má compreensão no que se diz respeito a criação, educação e escolarização dos filhos. Muitas pessoas culpam a escola por não formarem com perfeição os pequenos que ali ingressam, claro que, não podemos negar que necessitamos de uma reforma urgente na educação. Há muitos educadores cansados e que já desistiram de acreditar. Mas, não podemos generalizar, pois, existem muitas escolas excelentes e muitos educadores tão comprometidos que fazem muito além do que deveriam, porque simplesmente amam o que fazem.

Contudo, o abandono intelectual não ocorre por conta da escola e sim pelos pais. Tenho feito muitas palestras, debates e rodas de conversas em escolas estaduais, municipais e particulares e é deprimente o que podemos ver com os resultados. Em escolas de 800 alunos comparecem para as reuniões em média de 20 pais, outras com 1.400 alunos comparecem 15 pais.

Ou seja, o problema do Brasil não é o Brasil, nem a política, nem a corrupção… o problema da redução da maioridade penal não está na criança e no adolescente, o problema da drogadição não está no traficante… o problema do Brasil somos nós como família. Somos nós como pais que deixamos de entender que o dever de proteger, cuidar, educar, assistir, criar, amparar, à criança e ao adolescente primeiramente é de inteira responsabilidade de seus pais, família e/ou responsável e não da escola, a saber, a escola faz a escolarização. São os pais que devem colaborar, educar e formar uma infraestrutura racional e psicológica para que ocorra o amadurecimento social de seus filhos para serem cidadãos e cidadãs devidamente transformados em pessoas de bem, e a partir disso sim, pensar em um Brasil melhor.

Quando converso com muitas crianças e adolescentes tem horas que choro junto. Muitas dizem que não querem mais ser presenteadas com os presentes caros dados pelos pais, ao invés disso, reivindicam compreensão, carinho e atenção… eles entendem isso como uma compensação de ausência e subestimação de sua inteligência e sentimentos. Percebo que muitos transformaram as escolas num deposito de crianças e quanto mais tempo estiverem por lá, mais tempo os adultos terão de liberdade… como se filho fosse um peso.

Pois bem, meu recado desta vez é alertar aos milhares de amigos que me acompanham por aqui que revejam seus conceitos e repensem sobre as condutas e valores familiares. Vejo no dia a dia no Conselho Tutelar, nas escolas, nas palestras, muitas crianças e adolescentes implorando por socorro. Eu sei que você precisa ganhar a vida e para isso tem que trabalhar muito no intuito de dar o melhor a família, no entanto, entendo que nem sempre o melhor para nós será o melhor para nossa família. Sabe, nos importamos muito com coisas que não importa e não nos importamos com o que realmente importa.

De repente, você leu a coluna e pensou – Nossa como o Brasil está critico né?! Ou então, coitadas destas famílias?! Contudo, você já olhou para a sua família? Já tentou ouvir o que realmente importa para eles? Já parou para ouvir o que seus filhos acham da vida que levam ou dos pais que tem? Tudo isso pode ser surpreendente e uma dura realidade para nós, já que, na vida temos escolhas.

As grandes mudanças começam pequenas, e, para mudar o Brasil precisamos começar mudando a nossa casa. Vá para casa hoje e perceba se todos estão bem, não digo alimentados e vestidos, veja se precisam de apoio e de diálogo. Olhos nos olhos ainda é o melhor remédio para um bom confronto de realidade. Participar da vida, da educação, da escolarização, dos sentimentos, do convívio, e mais, proteger, cuidar, educar, assistir, criar, amparar é um gesto de amor. Cuide de sua família, pois, ela é o seu maior tesouro. www.gilsonbiondo.com.br

Tenha um dia abençoado!

Sobre Gilson Biondo

Conselheiro Tutelar e é palestrante em todo Brasil sobre Promoção, Prevenção e Garantia de Direitos na área da Criança e do Adolescente, mas, tem formação como Psicanalista Clinico, Administrador de Empresas, Bacharel em Teologia e é Escritor de 37 livros. No terceiro setor atua como Diretor-Conselheiro voluntário na ACM (Associação Cristã de Moços), como Diretor Social e Cultural voluntário da APFESP (Associação Pró-Família do Estado de São Paulo) e tem um projeto humanitário e evangelístico nos 32 vilarejos mais pobre do Brasil no sertão brasileiro. Para entrar em contato com ele: www.gilsonbiondo.com.br ou www.facebook.com/gilsonbiondo

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