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Passageiros da nossa história

Todas as manhãs, invariavelmente, milhões de pessoas deixam suas casas e se deslocam para destinos diversos, principalmente para o trabalho. O movimento dessas massas ocorre por modais variados e vão da caminhada à viagem de metrô, passando por bicicleta, carro, motocicleta, ônibus e trem. Nos grandes aglomerados urbanos esse fenômeno ganha proporções gigantescas e está associado diretamente à qualidade de vida dessas populações. É um tema que chama a atenção por sua complexidade, impacto direto na economia da urbe, dinâmica e bem estar da população. Compreender os problemas e apontar soluções é, portanto, desafio permanente e objeto de estudos de inúmeros profissionais, além de responsabilidade de toda a sociedade. O metrô é um dos mais importantes sistemas de transporte da região metropolitana de São Paulo. Dados de sua pesquisa “Caracterização Socioeconômica do Usuário e seus Hábitos de Viagem” (2016), realizada a cada dois anos pela companhia, revelam informações que auxiliam no entendimento de seu público. Dentre os usuários, 25% são da zona leste, 27% da zona sul, 26% da Grande São Paulo e 22% de outras regiões. As mulheres são a maioria e representam 56%, enquanto os homens são 44%. Os que fazem viagens exclusivas para o trabalho são 67% e os que têm vínculo empregatício formam um grupo de 75%. A faixa etária mais representativa (54%)tem entre 18 e 34 anos. Quase a metade (48%) tem ensino médio completo e a renda média familiar é R$ 5.368,00. Não apenas no metrô, mas em todas as modalidades de transporte, diariamente é um entra e sai, sobe e desce, embarca e desembarca que acompanha a pulsação e energia da cidade. Essa dinâmica frenética me veio à mente dias atrás, quando fui provocado a refletir sobre algo parecido que ocorre conosco. Você já parou para observar em quantas pessoas embarcam na sua vida e dela desembarcam durante sua existência? Atentou para a forma como isso se processa? Em minhas divagações concluí que, de alguma maneira, somos como um ônibus, trem ou algo assim. Alguns passageiros dessa nossa jornada entram na estação de partida e viajam por todo o trajeto. São a minoria. Tem aqueles que percorrem grandes trechos e outros algumas poucas estações. E ainda tem espaço para os que sobem por engano; ass im que percebem o equívoco, pulam fora. Todos, de alguma forma, são passageiros da nossa história.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

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