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Por inteiro e não pela metade

 

A preocupação com a qualidade de vida, sobretudo nas regiões metropolitanas, tem colocado a questão no centro do debate das ações governamentais em muitas cidades. O aumento da expectativa de vida da população brasileira, associado a um nível cada vez maior de acesso a informação, tem contribuído para criar uma geração mais atenta às questões ambientais e de saúde e bem-estar. A compreensão de que os investimentos na área diminuem a pressão em outros setores, como a saúde, estimula ainda mais iniciativas nessa direção. Há pesquisas que indicam que moradores de bairros que favorecem a caminhada e interação social são mais felizes e saudáveis.

Felizmente, é cada vez maior o número de praticantes de exercícios e atividades físicas, incluindo o público da chamada terceira idade. As pessoas estão vivendo mais e melhor, e o envelhecimento foi retardado. Os cinquentões e sessentões de hoje nem de longe lembram os de 30 ou 40 anos atrás. Muitos estão em academias, exercitam-se nas praias e participam até mesmo de corridas. Diante deste cenário, a promoção do acesso a espaços de recreação e lazer passa, então, a ser uma prioridade que se materializa em forma de parques, praças, pistas de caminhada, ciclofaixas de lazer e academias ao ar livre, dentre outros. Entretanto, apesar de espaços e equipamentos como estes estarem cada vez mais presentes em nossa paisagem, muitos têm optado por realizar suas tradicionais caminhadas nas ruas e calçadas, ainda consideradas mais democráticas.

Essa tarefa fica facilitada em cidades planejadas e arborizadas, regiões litorâneas ou mesmo em bairros tradicionais das grandes cidades, onde a mistura da atividade comercial com o uso residencial estimula a circulação de pessoas e gera maior sensação de segurança. Calçadas regulares e sinalização viária adequada completam o quadro favorável. Mas é exatamente nos subúrbios, onde vive a maioria da população, que está o grande desafio. O desenho urbano produzido a partir de um crescimento desenfreado, muitas vezes com loteamentos clandestinos e sem a menor infraestrutura básica, compromete o bem-estar de seus moradores. Nessas áreas, ao contrário do que muitos imaginam, há uma massa cada vez mais consciente de seus direitos e, portanto, mais exigente.

Como diz a música da banda Titãs, “a gente quer inteiro e não pela metade”. Cabe às autoridades, poder público e sociedade organizada o desenvolvimento de políticas e iniciativas que respondam não apenas às demandas imediatas, mas, principalmente, àquelas estruturais, muito mais complexas e necessárias.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

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