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Preconceito ou fisiologia?

Na última coluna abordamos um pouco sobre a polêmica envolvendo o nome de Tiffany, jogadora do Bauru. Nesta edição colocamos os dois lados deste debate. De um lado, Tandara, atacante do Osasco e do outro, a própria Tiffany, principal jogadora do Bauru.
Todos os atletas devem ter a mesma condição fisiológica para competir. Não é isso que ocorre quando Tiffany está em quadra. Por mais avançada que esteja a medicina é muita clara a vantagem física que ela tem em relação as demais. Um homem entre as mulheres, é o que ocorre hoje no vôlei nacional. Agora será que esse cenário é justo? Principalmente com as jogadoras que desde muito jovem passaram por diversos testes antidoping. Penso que algo deve ser feito com urgência para combater esse desequilíbrio.
Após o jogo entre Osasco x Bauru, a principal atacante osasquense concedeu entrevista coletiva e falou de um dos assuntos mais polêmicos na atualidade. A presença de Tiffany, uma jogadora trans, dentro do vôlei feminino.

Como é competir contra a Tiffany?
Eu respeito a história dela, para a sociedade é muito importante, dar a cara para bater, é uma pessoa que eu respeito muito. É um assunto delicado. Eu estava segurando para falar sobre isso porque estava esperando nosso confronto. Estudei, falei com muita gente sobre o assunto, tive um respaldo e eu não concordo com ela jogar no vôlei feminino. É um assunto delicado. Muitas atletas se posicionaram e receberam críticas.

Porque ?
A puberdade dela inteira se desenvolveu como sexo masculino. Não é preconceito, é fisiologia. Precisamos saber diferenciar isso. O pulmão dela é maior, o coração dela é maior, o quadril dela é menor, por isso é mais fácil dela saltar.

Durante o jogo quais as principais diferenças que você notou?
Em alguns momentos sim, no início do jogo, eu tive uma sensação que ela segura um pouco, foi mais na habilidade, tentou vir com menos força, mas na decisão ela vem para decidir mesmo. Ela vem forte. Em alguns momentos faz diferença.

É desleal jogar contra ela?
Quero deixar bem claro que respeito muito a história dela, que é importante para a sociedade. Sou solidária e tenho carinho, porém, independentemente se ela faz diferença ou não em quadra, seu desenvolvimento foi como sexo masculino, tem mais massa muscular, quadril mais fino, o que favorece a impulsão, tem pulmão maior e leva vantagem. É um assunto delicado e merece mais estudos. Mas quero deixar claro que não é homofobia, é fisiologia.

No último jogo do Bauru, Tiffany bateu o recorde de pontos em uma única partida

Tiffany saiu em sua defesa, mas garantiu que não está preocupada neste momento com as críticas e também deixou sua opinião sobre o tema.

Como tem recebido o movimento contra a sua presença no vôlei feminino?
Eu não tenho nenhum pouco de preocupação, até porque eu sou uma mulher transexual já com a cirurgia. O máximo que eles podem fazer é votar uma lei pela cirurgia, que eu já tenho. Sou feliz comigo mesma. Se um dia acontecer a proibição de eu jogar no feminino por algum motivo, eu não vou reclamar, vou seguir minha vida normal como uma mulher, em outro trabalho qualquer. Porém, já tenho notícias de que a única diferença será de dez para cinco, e minha testosterona é 0,12, então não tenho com o que me preocupar.

Acredita que a pressão de alguns clubes pode interferir na sua vida profissional?
Eu não vejo os comitês de outras ligas ou os profissionais de outros países tentando contestar as leis sem pesquisas e sem estudos. No Brasil somos um povo muito caloroso e que muitas vezes não sabe diferenciar o que é pessoal e profissional. Não estão levando em consideração as leis e as entidades que regem o esporte com essa movimentação. Estão buscando tornar legítimas suas opiniões e com isso me invalidar como jogadora.

Sobre Luis Marcelo Bigatto

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