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Somos todos pedestres

O pedestre é, certamente, o principal ator do sistema de trânsito em todo o mundo, afinal, uma das grandes verdades é que somos todos pedestres. Não importa se seu meio de transporte predominante seja o carro, o ônibus ou a bicicleta; em algum momento de seus deslocamentos você se torna pedestre. Entretanto e, infelizmente, sua importância não tem sido tratada ao longo da história à altura de seu protagonismo. Nossas cidades planejadas com foco no automóvel carregam uma herança vergonhosa – o número de mortes de pedestres é assustador. Segundo a Organização Mundial de Saúde, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 5 mil pedestres morrem toda semana no mundo, vítimas do trânsito. Eles representam 25% das mortes no sistema. São muitos os motivos que contribuem com essa realidade, e vão do desenho urbano e falta de sinalização à imprudência das próprias vítimas. Mas é inegável que a relação nada (ou pouco amigável), entre motoristas e pedestres é responsável por boa parte dos conflitos existentes e precisa ser aperfeiçoada. O pedestre é o ator mais frágil do sistema de trânsito e motoristas devem compreender isso com muita clareza. O equilíbrio dessa relação é proporcional à maturidade de nossa sociedade. Quem já não testemunhou, por exemplo, algum condutor de carro ou moto literalmente jogando seu veículo contra um pedestre, simplesmente pelo fato de, segundo o enten dimento do primeiro, o segundo ter sido imprudente. Em muitas dessas ocasiões, a buzina é utilizada para assustar ou ameaçar o pedestre. Ainda que um ato de negligência tenha ocorrido, isso não justifica, jamais, uma ação desse tipo. Situações como essa e muitas outras aberrações recorrentes revelam a tensão do nosso sistema de trânsito brasileiro e, consequentemente, nosso nível social. No último dia 8 de agosto foi comemorado o Dia do Pedestre. A data é inspirada na famosa foto registrada em 8 de agosto de 1969, quando quatro músicos atravessaram uma faixa de pedestres para estampar a capa do próximo disco. Eles eram os Beatles e a faixa, famosa até hoje, fica na rua Abbey Road, em Londres, Inglaterra. Ter um dia para lembrar um tema tão relevante é importante para estimular campanhas, debates e reflexões. E também u ma autocrítica, afinal, todos precisamos nos policiar permanentemente porque sempre há o que melhorar.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

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