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Um gringo em perigo

Carlão, era Negro, alto de olhos verdes e um bandido temido por todos. Bebia mais que um carro blindado. Fumava três maços de cigarros por dia. Cheira farinha como se fosse um aspirador.

Numa manhã de verão, feira de sábado no jardim D’Aabril, o pulha, saboreava um pastel de queijo.O gringo aproximou-se, foi quando, os dois se olharam e algo estranho aconteceu, o sangue não conjuminou, o santo de um, não bateu com o do outro. Silêncio total.

O gringo carregava no pescoço, um crucifixo e tinha uma tatuagem com o número 3 no peito. Faminto, devorava três pastéis ao mesmo tempo, como se fosse um monstro faminto. Por outro lado, Carlão apreciava cada pedacinho vagarosamente.

Ali, na feira, todos sabiam que, enquanto o chefão comia, ninguém se aproximava, mas o gringo sem saber das regras da periferia, nem se deu conta do perigo e comentou com a boca cheia:

– Esse é o melhor pastel, que eu já comi na minha vida!!

Carlão sorriu e apenas ouvia os comentários:

– Se deixarem eu como mais três pastéis, sozinho.

A japonesa, dona da banca, tremia igual a uma vara verde. O perigo estava a sua frente, a qualquer momento, poderia acontecer uma tragédia.

De repente, Carlão pergunta:

– Quer tomar um caldo de cana? Eu pago!!

O gringo demonstrou uma felicidade sem fim:

– Sim, três copos, gelado, por favor.

Carlão continuou sorrindo. Ninguém sabia o que se passava pela sua cabeça. Notava-se que ao redor da feria, havia pelos menos umas 30 pessoas aguardando a retirada dos dois, para que todos também pudessem comer seus pastéis de rotina.

O gringo pediu mais 3 pastéis de carne e perguntou:

– Amigo, você quer mais um pastel, eu pago?

Carlão ouviu calmamente cada palavra, apenas balançou a cabeça que sim e sorriu. De repente a polícia baixou na feira e todos ao redor tiveram que colocar as mãos na cabeça, menos o chefão e o gringo, que estavam sozinhos na banca comendo seus pastéis. Supostamente, não ofereciam perigo, foi quando, dois policiais se aproximaram e viram aquele homem estranho, de pele tão branca e olhos azuis, a ponto de hipnotizá-los.

O gringo já com a barriga cheia, euforicamente, pagou os pastéis, para os coxinhas.

– Podem comer quantos pastéis vocês quiserem, eu pago!!

Os policiais engoliram e zarparam rapidamente, sem dar por fé, que estavam ao lado do maior traficante do estado de São Paulo.

Carlão ficou muito agradecido, pelo fato, do gringo titubear os gambés. Em seguida, levou-o para dentro da favela e ali permaneceram por três dias, cheiraram tanto pó, como se fosse um aspirador.

No dia seguinte, o gringo saiu do beco meio zureta, beijou três vezes o crucifixo, abriu a camisa e encostou a mão direita, em cima da tatuagem, com o número 3. Ao chegar no trabalho, abriu o jornal e leu a manchete:

– Morre Carlão, o maior traficante do Brasil, motivo: ataque cardíaco!!

Sobre João Antunes

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