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Um passo à frente

Viver nas grandes cidades é um permanente desafio porque a escala dos problemas costuma fazer da rotina uma verdadeira sobrevivência. Basta lembrar a saga que muitos enfrentam diariamente no transporte público e trânsito caótico, sem falar das filas no sistema de saúde e a constante preocupação com a violência urbana, só para citar alguns exemplos.

O esforço de planejamento, quase sempre para reparar prejuízos já consolidados, não tem sido capaz de evitar que nossas cidades se transformem em grandes ilhas de calor, onde a qualidade ambiental é a exceção. Não à toa, São Paulo, que completa 464 anos no próximo dia 25 de janeiro, é também chamada de “selva de pedra” pelo domínio do concreto, predominância dos tons de cinza e excessiva impermeabilização do solo. E embora estes e muitos outros transtornos possam incomodar e até suscitar certa frustração em seus habitantes, a relação com a capital também é de amor e dedicação a ela. E exemplos desse empenho não faltam. Muitos deles pontuais e de impacto local, mas fundamentais para apontar caminhos para os enormes desafios da metrópole.

Um deles é a organização de voluntários que, mobilizados pelo interesse coletivo, decidiram construir jardins de chuva em seus bairros. São estruturas que auxiliam o sistema existente de drenagem urbana, ao acumular e reter uma parte das águas de chuva até que ela se infiltre gradualmente no solo. Sua função é especialmente relevante durante os picos de precipitação, quando grandes volumes de chuva acabam por provocar enchentes e alagamentos. Para muito além de auxiliar na drenagem urbana, o jardim de chuva contribui diretamente com a recomposição do lençol freático e melhora sensivelmente a paisagem.

Nos últimos tempos ganharam algum destaque iniciativas populares na Lapa, Vila Jataí, Parque Ibirapuera e, mais recentemente, no Largo da Batata, em Pinheiros. A prefeitura de São Paulo, inclusive, tem estimulado a implantação dessas estruturas com a realização de cursos de capacitação para interessados. A organização em torno de projetos dessa natureza é resultado de um forte sentimento de pertencimento do espaço coletivo. Quem se apresenta para fazer esse tipo de diferença reconhece seu papel e não transfere toda a responsabilidade ao poder público. Certamente está um passo à frente.

Sobre Oscar Buturi

Oscar Buturi é natural de Osasco. Arquiteto e urbanista, especializado em gestão pública municipal, atua no setor público desde 2005. Foi secretário nas áreas de meio ambiente, mobilidade urbana e comunicação social. Também atuou nas áreas de relações institucionais e obras. Escreve no Correio Paulista desde 2014.

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