A Copa do narrador

Copa do Mundo é um evento diferente para nós, narradores. Especial por ser o máximo para a nossa carreira. Como para os jogadores, ser convocados para narrar um Mundial e uma Olimpíada é o grande momento das nossas vidas. Mas, como todo grande campeonato, exige preparação. E dá um belo trabalho.
São 64 jogos, dos quais a gente narra uma média de 30, numa perspectiva hardcore. São portanto, cerca de 60 seleções. Países de línguas muito diferentes da nossa, algumas com várias consoantes coladas que deixam quase impossível a nossa fala. Ainda mais no ritmo frenético do rádio.
As pessoas costumam me perguntar como eu faço para descobrir as pronúncias corretas. Nesta quarta-feira, narrei Irã 0 x 1 Espanha. Nomes como Rezaeian, Jakahbakhsh entre outros tiraram meu sono nas horas anteriores. Eu descobri um especial do diário Marca, da Espanha, com um aplicativo que trazia, na voz de uma moça, que repetia os nomes dos jogadores de todas as seleções. Problemas resolvidos? Não.
Tem que treinar. Aprendi com a fonoaudióloga Juliana Portas que a gente tem que simular tudo o que for possível numa transmissão. O que fiz? Fiquei no carro repetindo freneticamente os nomes dos iranianos. Como se tivesse rolando o jogo. “Aziri para Azmoun. Que lança até Haji Safi, que passa para Hosseini. Vem Pouraliganji para afastar. De tanto repetir, na hora do jogo até que saiu, salvo um ou outro que acabou escapando.
E não foi só isso. Quem ouve a transmissão quer mais. Onde joga? Quantos gols marcou? E aí entra o segundo desafio: os nomes dos clubes. Muitos a gente não conhece de cabeça e aí é preciso pesquisar. Mas essa é história para outra coluna.
Vida de narrador não é fácil…

O convidado especial Marcelo do Ó é jornalista; narrador das rádios Globo e CBN, RedeTV e TV Nsports

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