Após terremoto, haitianos recomeçam a vida em Osasco

Unidos na dor de uma tragédia e no ideal de recomeçar a vida, ainda que distante da terra natal. Assim pode ser resumida a história da chegada ao Brasil de Michael St. Victor, 26 anos, Erilien Verneuil, 31, e Jean Baptiste Sergino, 32. Em 2010, os imigrantes perderam familiares e amigos no terremoto que abalou o Haiti, país mais pobre do continente americano.

Graças ao projeto Osasco Integra, comandado pela Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão (SDTI), da Prefeitura de Osasco, o trio conseguiu ingressar no mercado de trabalho formal após passar por curso de capacitação no Portal do Trabalhador e ser encaminhado para processo seletivo em empresas da cidade.

Desde o início do ano, eles trabalham como estoquistas em uma loja de enxovais na Rua Antonio Agú. Michael e Erilien estão há cinco meses na empresa. Jean entrou um mês depois. O trio mora em Carapicuíba e pensa em fazer cursos técnicos profissionalizantes para ampliar as possibilidades no mercado de trabalho.

O recrutamento pela mesma empresa trouxe outro benefício aos imigrantes: a ajuda mútua para romper a barreira do idioma. No Haiti, a língua oficial é o francês. “Entramos em horários diferentes. No expediente quase não dá para conversar, mas no horário do almoço a gente fala em português para treinar”, disse Michael, que como Erilien chegou ao Brasil em 2014. Jean veio em 2017 e já arranha algumas palavras em português com a ajuda dos amigos.

 

“O curso foi muito importante para a gente conseguir uma oportunidade. No início tem a dificuldade do idioma, mas depois que a gente aprende o básico para se comunicar fica mais sossegado”, comentou Michel.

 

Gerente da loja, Cleber Oliveira, 36, destacou a dedicação dos haitianos ao trabalho. “Não tenho do que me queixar. Eles são responsáveis e assíduos. Nunca faltam nem se atrasam”.

 

Intérprete

No Portal do Trabalhador, os estrangeiros são recepcionados e contam com o auxílio de Mokonzi Bruce, 30 anos, no momento da inscrição, instrução e encaminhamento para vagas de emprego.

 

Nascido na República Democrática do Congo, Bruce vive no Brasil como asilado político desde 2013 e fala francês, inglês (básico) e dialetos como o Lingala (usado em boa parte da África) e o Suaíli (parte da África e em alguns países árabes).

 

Segundo o congolês, os estrangeiros que procuram o Portal são em boa parte africanos, e o principal entrave na busca por emprego não é apenas o idioma. “Alguns dizem possuir formação, mas não têm como comprovar porque na África são feitos apenas contratos de trabalho. Não é como no Brasil, com carteira assinada. Alguns trazem contrato da época em que trabalhavam em seus países. Isso facilita”.

 

O congolês mora em São Matheus e trabalha há um ano e dois meses para uma empresa de consultoria que presta serviços ao Portal do Trabalhador em Osasco no atendimento ao público.

 

Bruce se formou em Mecatrônica no Congo e já trabalhou em outras empresas na capital paulista antes de ocupar o atual posto no Portal. “É gratificante ajudar outras pessoas, porque também passei por isso. Quando cheguei em São Paulo (capital) e fui procurar emprego no CAT (Centro de Apoio ao Trabalhador), tive dificuldades porque na época não tinha que falasse outro idioma no atendimento. Esse programa é relativamente novo. Comecei a aprender o português num curso de um mês no Instituto Caritas. Depois fui desenvolvendo com a ajuda de vizinhos”.

 

Projeto 

O Osasco Integra atendeu entre janeiro e fevereiro deste ano 60 pessoas, das quais nove conseguiram uma vaga no mercado de trabalho formal. Entre os beneficiados, oito são imigrantes/refugiados e uma pessoa em situação de rua.

 

Criado em 2017 com o objetivo de ampliar o atendimento  social na cidade, de forma que abrangesse pessoas em situação de exclusão e de alta vulnerabilidade, o programa atende jovens em cumprimento de medidas socioeducativas e/ou em serviço de acolhimento institucional; pessoas em situação de rua; mulheres vítimas de violência doméstica; população LGBTTI; imigrantes e refugiados; egressos do sistema prisional; pessoas em situação de drogadição e comunidades tradicionais (indígenas, ciganas e quilombolas).

 

A inclusão se dá por meio do atendimento especializado nos Portais com os seguintes serviços: oficinas de orientação profissional, cursos de formação inicial e intermediação de mão de obra realizados por técnicos da SDTI.

 

Serviço

O atendimento e as inscrições nos cursos de formação inicial estão disponíveis nos Portais Centro, Sul e Bonança. Nas unidades Centro e Sul há uma equipe multidisciplinar para o plantão social e atendimento psicológico direcionado ao trabalho. Outras informações pelo telefone 3653-1133, ramais 1164 e 1233.

 

Endereços:

 

Portal do Trabalhador do Centro (Rua Fiorino Beltramo, 300).

 

Portal Sul (Avenida João de Andrade, 1.778, Jardim Santo Antônio).

 

Casa de Cultura, Esporte e Lazer (Rua Dr. Miguel Campos, s/nº, Jardim Bonança).

 

 

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