Copa do Mundo é de futebol, mas falam pouco sobre isso

A Copa do Mundo é um evento diferente. Cada vez mais enxergo a Copa como uma grande celebração do futebol. Como competição, a Champions League tem mais qualidade, isso não quer dizer que seja mais representativa. São coisas diferentes.
Antes deste futebol globalizado, a Copa do Mundo era a única oportunidade de reunir na mesma competição todos os melhores jogadores, havia um limite de estrangeiros nos clubes, então muitos atletas faziam carreira apenas no país de origem. Hoje é diferente. Nas grandes ligas da Europa, os melhores jogadores do mundo se enfrentam quase que diariamente, com um detalhe, os melhores jogadores estão nos melhores times, na Copa isso não acontece sempre, tudo depende da nacionalidade. As mudanças táticas do futebol acontecem nos clubes. O que vemos na Copa do Mundo é reflexo do que rola nas ligas europeias e não o contrário. A diminuição do espaço no campo ficou acentuado com o Barcelona de Guardiola, a pressão imediata assim que perde a bola é uma característica marcante daquele time e a ocupação dos espaços para defender de maneira compacta também é uma consequência daquilo, os times passaram a buscar alternativas mais sofisticadas para se defender contra times que acharam formas mais eficientes para atacar.
Na Copa do Mundo, muita gente acompanha o futebol, inclusive pessoas que não tem este hábito fora deste período. Isso é legal, afinal é uma festa, uma grande celebração do esporte. O público não tem nenhuma obrigação de fazer comentários embasados e racionais, mas o jornalista tem.
A obrigação do jornalista é informar o público, independente da função que exerce, narrador, comentarista, repórter ou apresentador, mas infelizmente muitas vezes isso não acontece, a imprensa reforça crenças populares que deveriam ser esclarecidas.
Quando falamos de seleção, as derrotas são resumidas a falta de vontade e dedicação. Logo aparecem aquelas conversas de que o jogador é mercenário, já estão milionários e não ligam para o país e infelizmente a imprensa alimenta esse tipo de coisa, apenas uma parte se preocupa em tentar explicar um pouco melhor sobre o jogo. Acreditem, as derrotas acontecem pelo futebol, outros fatores podem influenciar, mas o que decide é o desempenho, a bola.
Não é uma crítica generalizada. Eu faço parte da imprensa e tenho muitos colegas que são excelentes e que procuram entender mais do jogo e passar isso para o público. Todas as opiniões devem ser respeitadas, mas o caminho do sensacionalismo e da exploração do resultado ruim é péssimo inclusive para a profissão. Esse tipo de postura me incomoda e preocupa e outros colegas também pensam assim. Se o jornalista não acrescentar nada ao público e apenas repetir o que é falado por aí, não vamos mais precisar do jornalista.

O convidado especial Bruno Prado é comentarista da rádio Jovem Pan

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