Criança cadeirante conta com ajuda da avó para estudar em Osasco

fonte: R7

O relógio marca, pontualmente, 12h15. “Está quase na hora”, anuncia a dona Ediria Jerônimo de Souza Silva, de 65 anos. “Pronto, são 12h20. É hora de buscar o Gustavo”, conta ela sobre a tarefa que realiza durante todos os dias da semana. Há sete minutos de sua casa, localizada na Vila Dalva, divisa de São Paulo com Osasco, está o neto. Aos 14 anos, Gustavo possui deficiência física desde o primeiro ano de vida. Estudante do sétimo ano do ensino fundamental da Escola Estadual Samuel Kalbin, ele é uma das 60 mil crianças com algum tipo de deficiência na rede estadual de ensino.

Pernambucana de pulso firme, dona Ediria chama a filha, Ana Paula, de 45 anos, também cadeirante e mãe de Gustavo, para ir buscar o neto na escola. Arrasta o sofá, abre a porta, analisa os espaço e, somente depois, desce com a cadeira. Passadas três casas, logo na esquina do quarteirão, está a escola onde Gustavo estuda. Rodeado por duas amigas, Gustavo espera a mãe e a avó com um sorriso no rosto. “Oi, Gu”, cumprimenta a mãe Ana Paula.

No caminho de volta a casa, a dupla de cadeirantes enfrenta problemas relacionados a acessibilidade. Rua com desnível e muito lixo acumulado, além de calçada sem acesso para pessoas com deficiência. “Não tem como, temos que ir pela rua mesmo”, conta a avó. No momento de entrar em casa, mais um desafio: chão batido e uma subida difícil para Gustavo e Ana Paula.

A família descobriu que Gustavo tinha paralisia cerebral logo no primeiro ano de idade. “As perninhas dele tremiam, ele não conseguia se sustentar em pé”, relembra dona Ediria. Desde então, a vida do estudante é recheada de muita luta que ele enfrenta com sorriso largo.

Na casa de quase 70m², outras cinco pessoas também dormem – uma delas no chão da sala. “Temos conseguido sobreviver com dois salários de aposentadoria”, diz a mãe Ana Paula. O governo, neste caso, dispõe para cada deficiente a quantia de R$ 950 por invalidez.

Neste Dia das Crianças, o desejo do estudante é apenas um: uma TV. A avó, na tentativa de juntar dinheiro, faz bicos lavando e passando as roupas dos vizinhos. “Mas tá difícil, viu?”

Rotina na escola

O ambiente escolar de Gustavo, segundo ele, é acolhedor. “Os meus amigos me ajudam. No recreio, levam comida para mim porque eu não consigo”, diz com certa dificuldade na fala, além da timidez. Assim como os outros colegas, os professores também prestam apoio: “eles tem paciência comigo e são super legais.”

Durante os dias letivos, Gustavo também recebe a visita da avó no momento de recreação entre os estudantes. “Ela me leva no banheiro, porque não consigo ir sozinho”, diz. “Se eu me sujar com algo, ela também me limpa e troca a minha roupa.”

Questionado sobre a matéria que mais gosta, Gustavo responde imediatamente: “matemática”. A mãe interrompe a entrevista e diz que ele se “dá muito bem com os números, mas com o português…” A criança ri e assume que é verdade.

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