Ei, a Copa começou!

É impossível não notar como o clima dessa Copa do Mundo na Rússia está diferente das edições anteriores. Um misto de mau humor e desinteresse permeia o ambiente nacional. É bem verdade que no último torneio, realizado no país, o clima já não era tão positivo, motivado pelo discurso “Não vai ter Copa!”, favorecido pela polarização política que ganhava força na ocasião. Aos poucos, entretanto, a invasão de turistas associada ao carisma do nativo e à evolução do torneio trataram de promover certa euforia em torno da competição. Às portas da Copa da Rússia, o que se vê é um torcedor apático, não obstante o fato de a seleção canarinho estar vivendo um bom momento em termos técnicos. Desde a frustração do inesquecível 7×1 para a Alemanha na última edição, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se viu enlameada por escândalos de corrupção que somente vieram à tona por investigações internacionais. Para 58% da população, o indiciamento dos últimos três presidentes da entidade afeta diretamente a vontade de torcer pela seleção, segundo pesquisa MindMiners. E para 54% a eventual conquista da Copa não melhora a autoestima do brasileiro. Contribui também o fato de que a maioria dos jogadores da seleção não construiu vínculos fortes com a torcida porque joga em outros países desde cedo. A contaminação da modalidade pela crescente polarização política é outro fator que causa ojeriza para muitos, fenômeno possível graças à utilização da camisa amarela em manifestações políticas Brasil afora. Somos uma nação cada vez menos interessada pelo futebol. Pesquisa Datafolha deste ano aponta que 41% da população não tem nenhum interesse pela modalidade. Em 2010 eram 31%. Uma coisa é indiscutível – o Brasil mudou e talvez não seja mais o país do futebol como outrora. Bolas e camisas de clubes já não são mais os principais presentes para nossas crianças, que crescem conectadas e distraídas com seus smartphones. A nova realidade da comunicação, mais universalizada, dificulta a manipulação do cidadão comum. É possível deduzir que a apatia do torcedor tenha relaç ;ão com sua maturidade. E como a lógica do pêndulo, que conhece extremos na busca do equilíbrio, a nação que tantas vezes se emocionou e distraiu em outras Copas, agora tenha que provar certa indiferença. Quem sabe a razoabilidade não esteja mais adiante?

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