Eis uma oportunidade!

O brasileiro vive uma crise de confiança social que já dura tempos. E essa instabilidade na credibilidade que o cidadão deposita em instituições e outros atores varia de acordo com a época e circunstâncias. Ainda assim, alguns desses agentes ou instituições sempre aparecem de forma destacada neste cenário negativo. É o caso, por exemplo, de partidos políticos e Congresso Nacional. Dados do Índice de Confiança na Justiça (2017) produzido pela Fundação Getúlio Vargas e que também aferiu a confiança nas instituições, revelam que o Governo Federal conseguiu o feito de instituição com menor credibilidade entre os brasileiros (6%), seguido dos partidos políticos e Congresso Nacional (ambos com 7%). A crise de desconfiança também alcança o poder judiciário (24%), grandes empresas (29%) e até mesmo a imprensa escrita (35%) e emissoras de TV (30%).

Essa insatisfação generalizada costuma desestimular o cidadão comum de se envolver nos processos de participação efetiva para transformação da realidade. O sentimento muitas vezes é de impotência. Curiosamente e, felizmente, um dos princípios preconizados na Constituição Federal (1988) é exatamente o controle social das ações e políticas setoriais desenvolvidas no âmbito da administração pública.

É o caso dos conselhos municipais, formado também por representantes da sociedade que têm a responsabilidade de acompanhar, propor, deliberar, controlar e fiscalizar as políticas e ações das mais diversas áreas do governo, seja ele federal, estadual ou municipal. Os conselhos são instrumentos de participação e controle que aproximam o cidadão comum da administração e diferem, em sua natureza, do controle institucional, realizado pelo próprio Estado (controle interno) e por órgãos dos vários poderes (controle externo). Embora ainda persistam muitas críticas quanto à forma como alguns conselhos são conduzidos, principalmente com a interferência de forças e interesses político-partidários, a verdade é que estes espaços representam uma oportunidade de cooperação.

Em uma sociedade cada vez mais conectada, talvez o próximo passo seja estimular e promover o engajamento social através de plataformas digitais que ampliem a representatividade nos debates de interesse coletivo.

Enquanto isso não ocorre, fique atento e procure informações acerca dos conselhos de sua cidade.

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