Futebol ou basquete?

Estamos chegamos aos últimos dias da Copa do Mundo (que tristeza!). Uma edição diferente do “Campeonato Mundial de Futebol”, em comparação a de 1998, por exemplo, ou até mesmo a do Brasil, em 2014. Sairam as grandes atuações coletivas, os jogos com muitas finalizações e grandes defesas, para outro tipo de emoção: o sofrimento.
Nos muitos jogos desta “Copa da Sofrência”, pouco se viu o grande driblador enganar seus marcadores e fazer um “gol de placa”. Menos ainda aquela tabelinha vencedora que quebra a defesa e abre o caminho para um gol construído coletivamente. Temos sim muitas cobranças de pênaltis, 28 mais precisamente. Recorde na história dos Mundiais. Muitos gols contra, 10 no total. A bola parada e o gol no final dos jogos (31).
Se esses números trazem um certo pessimismo técnico na análise dessas duas primeiras fases da Copa da Rússia, para nós, que vivemos de emoção, virou um prato cheio. Portugal 3 x 3 Espanha, Nigéria 1 x 2 Argentina, Coréia do Sul 2 x 0 Alemanha, Inglaterra 1 x 1 Colômbia são alguns dos jogos que serão lembrados, se não pelos lances de plástica, mas pela emoção intensa da luta para vencer uma grande organização defensiva.
Esse Mundial intensificou um movimento que já vem de alguns anos no futebol. Todos os times sabem organizar muito bem um sistema defensivo. Uma linha com cinco defensores e outra com mais quatro (ou às vezes cinco também), que forma uma barreira como as dos times de handebol em torno da área. Como disse o técnico Dorival Júnior, ao programa Quatro em Campo, da Rádio CBN, nesta quarta-feira: “o futebol está vivendo dos duelos individuais”.
O talento individual precisa se desdobrar cada vez mais para quebrar essa organização. O drible, antes relegado a um acessório, passa a ser imprescindível. Mas além disso, eu enxergo um outro horizonte. No basquete, o jogo se desdobra numa mecânica semelhante. Os 10 jogadores (5 de cada time) correm de uma ponta a outra da quadra. A defesa se organiza e os ataques também para vencer, com combinação de bloqueios, passes, movimentação e arremessos de longe, para tentar a cesta. Quem executa isso melhor ao longo dos 40 minutos de jogo vence.
Seria muita viagem imaginar esse cenário no futebol? E você, o que acha?

O convidado especial Marcelo do Ó é jornalista; narrador das rádios Globo e CBN, RedeTV e TV Nsports

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