Site icon Correio Paulista

Morre o ex-prefeito de Osasco Guaçu Piteri

O filho Cláudio Piteri usou suas redes sociais para anunciar o falecimento do seu pai Guaçu Piteri. “Com pesar informamos o falecimento de nosso pai, avô e sogro.Foi um exemplo para nós de luta e deixa um legado de dignidade, lealdade e amor ao próximo. Para a família, resta o desafio de seguir seus passos e honrar os princípios que ele sempre defendeu. Pedimos aos amigos que orem pela alma dele e que ele seja recebido pelo senhor celestial com muita luz. Vá em frente! Você é que brilha!!”

Escritor, professor e um amigo para todas as horas, esse era Guaçu Piteri. Ele morreu as 6h da manhã deste domingo no Hospital Osvaldo Cruz. Guaçu lutava contra um câncer.

Formação

Nascido em Pindorama, ingressou na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, onde foi presidente do Centro Acadêmico Luiz de Queiróz no biênio 1958-1959. Após formar-se em 1959 realizou mestrado em sociologia rural pela Universidade de Cornell, Estados Unidos. Ao retornar dos Estados Unidos, ingressou no Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, onde atuou como engenheiro agrônomo até ingressar na política.Em 1964 foi eleito 3º vice-presidente da Sociedade Paulista de Agronomia para o biênio 1964-65.

 

Política

Após participar da campanha pela emancipação de Osasco, sendo janista, ingressou no recém criado Movimento Democrático Brasileiro (1966) (responsável pela oposição à Ditadura militar brasileira) e concorreu ao cargo de prefeito em 1966 ao lado de Guido Colino.

 

Prefeitura (1º mandato)

O primeiro mandato de Piteri foi conturbado por conta da grande greve de 1968, que paralisou cerca de 22 mil trabalhadores de Osasco e São Paulo. Iniciada na Cobrasma por José Ibrahim (presidente do sindicato dos metalúrgicos de Osasco), a greve se espalhou para as demais empresas da região por meio do foquismo. A situação saiu do controle das autoridades policiais e o governo ditatorial enviou tropas do regimento de infantaria do Exército Brasileiro, sediado em Quitaúna, para enfrentar os grevistas. O governador Abreu Sodré ligou para o prefeito Piteri, o acusou de participar do movimento (meses antes Piteri foi o único prefeito brasileiro que acorreu ao porto de Santos para receber o ex presidente Jânio Quadros que voltara de uma viagem transatlântica, banido pelo regime) e afirmou que, caso a greve não fosse contida, a cidade poderia sofrer outra intervenção federal com a destituição de Piteri, seu vice e dos vereadores. Após a violenta repressão do Exército sobre o movimento grevista, a ameaça de intervenção foi afastada.

 

Sua obra mais importante foi fundar, com auxilio do Bradesco, a Fundação Instituto Tecnológico de Osasco que abrigava os cursos de Ciências Econômicas e Administrativas e o Conservatório de Música e Dança Villa Lobos.Após 47 anos, a Fundação endividada extinguiu seus cursos superiores.

 

Assembléia Legislativa

Ao final do mandato, Piteri concorreu a uma cadeira de deputado estadual nas Eleições estaduais em São Paulo em 1970. Após a apuração dos resultados, Piteri acabou sendo o segundo candidato mais votado do MDB (atrás apenas de Fauze Carlos, ex-secretário estadual de saúde nos governos Jânio Quadros e Carvalho Pinto-e fortemente apoiado por estes- e irmão do falecido deputado Emílio Carlos), sendo eleito com 28.458 votos (a maioria da cidade de Osasco).

 

Eleições municipais de 1972

Em Osasco Piteri começou a enfrentar dissidências no MDB local quando o vereador José Ferreira Batista ameaçou votar pela reprovação das contas de Piteri à frente da prefeitura de Osasco no ano de 1968. Batista argumentou que a reprovação era recomendada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, mas o MDB local alegou infidelidade partidária e conseguiu cassar seu mandato.

 

O desgaste causado pelas dissidências, que incluiu seu antigo marqueteiro José Arévalo (que acabou indo para a Arena), não impediu Piteri de pleitear e obter a candidatura para prefeito de Osasco na convenção do MDB de junho de 1972.

 

Para as eleições de 1972, a Arena contou com o apoio da máquina pública estadual e federal, além do apoio do Banco Bradesco (sediado em Osasco), lançando quatro candidatos, entre os quais o jovem advogado e bancário Francisco Rossi. Já o MDB usou a máquina pública municipal, sindicatos e militantes, liderados por Guaçu Piteri e pelo prefeito José Liberatti.

 

Após uma campanha caótica de Piteri, com acusações de populismo e compra de votos de ambos os lados, a abertura das urnas revelou que Guaçu Piteri (MDB) obteve mais votos que o segundo colocado, Francisco Rossi (Arena). Porém as candidaturas de sublegenda (criadas pela Ditadura para causar divisões internas nos partidos permitidos) derrubaram o MDB local, que recebeu menos votos que a Arena, inclusive em áreas onde o partido de oposição dominava.), a Arena obteve a vitória ao ter mais de 7 mil votos acima do MDB. A derrota abalou temporariamente o MDB de Osasco, vindo de vitórias nas eleições de 1966 e 1969.[

Sair da versão mobile