Elas estão enfeitando os dias de Osasco. Desembarcaram segunda-feira em Guarulhos, viagem que teve inicio um dia antes – mais de 5h partindo de Nairobi ao Qatar e, de Doha, mais de 14h até São Paulo.
A seleção do Quênia está reunida após os Jogos Olímpicos de Tóquio, agora por outra causa – planejamento para o Mundial e por Paris 2024. No comando desse projeto ousado está Luizomar de Moura, técnico do Osasco e que assume a causa sob chancela da Federação Internacional de Vôlei – ele soma com o local Paul Bitok, treinador reverenciado no país e verdadeiro soldado dessa causa que é a seleção feminina.
Quando Luizomar se apresentou em Nairobi para a Olimpíada, sabia que iniciava uma corrida contra o tempo – mas daria para cumprir dois ou três meses de apronto em Osasco antes de Tóquio. No entanto, não é preciso dizer que o quadro da pandemia era tenso e que impediu tudo.
Então, Luizomar e a seleção partiram para o Japão sem um preparo de qualidade – por mais que tenha acrescentado na performance coletiva, significaria quase nada diante das potências olímpicas.
Quando despediu-se do Quênia para retomar o expediente no vôlei osasquense, o técnico sabia que em breve estaria de volta à Mama África e, então, nada de adeus: “Logo nos veremos aqui novamente.”
Campeonato Paulista, depois Superliga… Tão logo a agenda dessa temporada é fechada, Luizomar abre outra, a do projeto Quênia. Chegava a hora de mudar de uniforme – no começo de maio ele se apresentava novamente em Nairobi e, agora, para um planejamento de alto padrão com o colega Paul Bitok.
Após a final da Liga Africana vencida pelo Kenya Commercial Bank, Luizomar convocou a nova seleção, mesclando novatas com outras que estiveram em Tóquio. Por fim, ele traça com a Fivb e com a Federação de Vôlei do Quênia a estratégia de alto rendimento para o Mundial – planejamento em Osasco.
É por isso que a seleção está para dois meses de camp na cidade e com Luizomar projetando ao menos quatro amistosos com os principais da Superliga. No entanto, tudo isso à parte, estar em Osasco tem significado além para as Rainhas Africanas – elas sabem o que venceram até o embarque, das barreiras sociais que pesam muito e, por isso, comemoram cada manhã de Brasil.
POR UM FIO
E há outro motivo especial para essa celebração diária, pois por muito pouco o sonho de Luizomar e da seleção não toma match point implodindo tudo – a Fivb garantia parte da missão Osasco, a fatia determinante ficaria para o governo. Então, é divulgado que o Ministério do Esporte está falido, que não há recursos, nenhum xelim (moeda local) para o vôlei.
Luizomar havia agendado viagem para o Brasil dia 18, não deu; à espera de resposta, adia por 24h e para tomar outro ace. Então, momentos tensos assim e sob ultimato – sem aporte estatal o planejamento seria abortado porque a Fivb não teria como bancar tudo.
Quinta-feira passada foi decisiva porque o sonho estava mesmo por um fio. Então surge um benfeitor para salvar a pátria – a Mozzart Bet que já havia assinado parceria com a seleção para após a estadia no Brasil, amplia contrato e antecipa orçamento que viabiliza tudo. Sim, a casa de apostas chega salvando no último momento.
“Ano passado vocês me fizeram sentir-me em casa”, diz Luizomar de Moura às Rainhas Africanas, referindo-se ao período olímpico; “… queremos que vocês sintam-se em casa aqui em Osasco.”
Certo, esse bem-vindo vale para a estadia e não entra em quadra, pois no trabalho diário o anfitrião ostenta divisas de comandante. A primeira semana da seleção tem sido de adaptação, a partir da próxima ele pesa a carga para 60 dias de imersão de vôlei, alto padrão diário e no modo Osasco de jogar.

