SUS Inteligente: A saúde pública brasileira entrando na era da tecnologia com humanização

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Por – Dra. Simone Neri

Boas notícias a caminho! Recentemente, o Ministério da Saúde (MS) anunciou a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes e Medicina de Alta Precisão, um passo histórico para o Sistema Único de Saúde (SUS). Com investimento de R$ 4,5 bilhões e a construção do primeiro hospital inteligente em São Paulo, os benefícios prometem ir além da inovação tecnológica: são oportunidades reais para democratizar acesso, melhorar a qualidade do atendimento e integrar tecnologia e cuidado humano. O hospital inteligente terá 800 leitos – 250 de emergência, 350 de UTI e 200 de enfermaria – além de 25 salas cirúrgicas. A expectativa é que a unidade beneficie cerca de 20 mil pacientes por ano (fonte: Agência Gov).
No novo hospital no HC-USP o tempo de espera na emergência poderá cair em cerca de 25% — de 120 para 90 minutos. A expectativa é que a estrutura funcione com padrão moderno de tecnologia, ao mesmo tempo em que atue como centro de ensino, pesquisa e inovação, formando profissionais capacitados em saúde digital, automação hospitalar e cuidado com tecnologia integrada.
Já a Rede Nacional prevê a implantação de 14 UTIs automatizadas interligadas nas cinco regiões do país, e a modernização de outros serviços hospitalares com uso de inteligência artificial, big data, telemedicina e integração de dados clínicos.
Quem pensa que automação é luxo se engana. Com toda essa tecnologia teremos chance de reduzir desigualdades de acesso, especialmente para quem depende exclusivamente do SUS. Um atendimento mais rápido, diagnóstico preciso e fluxo integrado favorecem quem vive longe de grandes centros hospitalares e em locais periféricos. Nesses contextos, como o que vivemos aqui em Osasco – com foco na saúde pública, prevenção (como rastreamento de câncer de pele) e acolhimento comunitário – essa transformação pode significar mais agilidade no encaminhamento, menos filas, menos espera e atendimento de urgência ou alta complexidade com maior eficiência.
Quando aliada à atenção primária e aos esforços comunitários de prevenção e educação em saúde, a tecnologia pode ser uma aliada poderosa para garantir que cuidados essenciais cheguem com qualidade a toda a população.
Benefícios da automação na saúde pública – Redução do tempo de espera, maior agilidade em emergências e diminuição da duração de internações são alguns dos principais ganhos da automação na Saúde Pública. Além disso, há a real ampliação da capacidade de atendimento, com mais leitos de alta complexidade e suporte a especialidades como neurologia, neurocirurgia, emergências de risco, beneficiando populações distantes ou sem acesso privado.
O novo modelo também estimula produção de conhecimento, pesquisa e formação de profissionais em saúde digital, o que pode elevar o nível da assistência pública e favorecer uma mudança estrutural no SUS.
Mas o fator humano não pode ser esquecido. A tecnologia, por si só não garante acolhimento, empatia, ou atenção às vulnerabilidades sociais. É essencial que, mesmo com automação e sistemas modernos, se preserve o cuidado humano e próximo das pessoas. Sempre digo que a integração entre os serviços de alta complexidade e a atenção primária/comunitária é o segredo para dialogar com a realidade local — sobretudo nos bairros periféricos ou municípios com menos infraestrutura.
E, claro, é necessário o esforço contínuo para capacitar equipes, garantir acesso digital para quem precisa, evitar exclusão e assegurar que o SUS continue sendo universal e inclusivo.
Vivemos um momento de transformação para o SUS. Mas esse passo precisa ser construído com responsabilidade social, compromisso comunitário e muita atenção à equidade. Espero que cada dia mais, nós, profissionais da saúde, possamos olhar para o futuro criando pontes entre essa inovação e as pessoas que, dia a dia, dependem do sistema.
Convido gestores, profissionais de saúde, comunidade e cidadãos a acompanharem esse processo, participarem, cobrarem e contribuírem. A saúde pública de qualidade depende da nossa vigilância, do nosso engajamento e da nossa humanidade.

Dra. Simone Neri
Médica CRM-SP 80.919
Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Matriciadora de Dermatologia no município de Osasco
Presidente do Instituto Casa Neri – Saúde e Acolhimento
Clínica Simone Neri – Dermatologia, Saúde e Longevidade

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