Canetas emagrecedoras: uma revolução no tratamento da obesidade

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Por – Dra. Simone Neri

Nos últimos anos, as chamadas “canetas emagrecedoras” deixaram de ser um assunto restrito aos consultórios médicos e passaram a fazer parte das conversas do dia a dia. Celebridades, influenciadores e milhares de pessoas compartilham resultados impressionantes nas redes sociais. Mas afinal, essas medicações são realmente indicadas para qualquer pessoa?

A resposta é não.

Esses medicamentos foram desenvolvidos para tratar uma doença séria: a obesidade, além de auxiliar pacientes com diabetes tipo 2 em situações específicas. Eles atuam imitando hormônios produzidos naturalmente pelo intestino, promovendo maior sensação de saciedade, retardando o esvaziamento do estômago e ajudando no controle do apetite.

Quando bem indicados e acompanhados por um médico, podem proporcionar perda significativa de peso e reduzir o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes e outras complicações relacionadas ao excesso de peso.

Por outro lado, seu uso indiscriminado preocupa. Muitas pessoas procuram essas medicações apenas por motivos estéticos, sem apresentar obesidade ou sobrepeso com indicação clínica. Além disso, adquiri-las sem acompanhamento médico pode aumentar o risco de efeitos adversos, como náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e, em casos mais raros, pancreatite ou problemas na vesícula biliar.

Outro ponto importante é entender que a caneta não substitui hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento multiprofissional continuam sendo a base de qualquer tratamento eficaz. Sem essa mudança de estilo de vida, é comum ocorrer recuperação do peso após a interrupção da medicação.

Também é importante lembrar que obesidade não é falta de força de vontade. Trata-se de uma doença crônica, multifatorial e reconhecida pela Organização Mundial da Saúde. Por isso, merece tratamento sério, baseado em evidências científicas e individualizado.

As canetas representam um dos maiores avanços da medicina no tratamento da obesidade nas últimas décadas. Porém, como toda boa ferramenta, seu benefício depende da forma como é utilizada. A decisão sobre iniciar ou não esse tratamento deve sempre ser tomada em conjunto com um profissional de saúde, considerando os riscos, benefícios e as necessidades de cada paciente.

Cuidar da saúde é muito mais do que emagrecer. É promover qualidade de vida, prevenir doenças e construir hábitos que possam ser mantidos por toda a vida.

(*) Médica • Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia • Presidente do Instituto Casa Neri • Médica matriciadora em Dermatologia na rede pública de saúde

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