Por – Gregório José
O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, convida o país a refletir sobre muito mais do que o afeto entre gerações. A data chega em um momento em que o Brasil envelhece de forma acelerada e em que milhões de homens e mulheres assumem um papel que vai muito além do carinho e dos conselhos. Eles sustentam famílias, criam netos, ajudam filhos adultos e, muitas vezes, tornam-se o principal esteio financeiro de seus lares.
Os números ajudam a compreender essa transformação. O Censo Demográfico de 2022 aponta que o Brasil possui 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 10,9% da população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística também revelou que a expectativa de vida ao nascer alcançou 76 anos, o maior índice da série histórica. Isso significa que o número de brasileiros que chegam à condição de avós cresce a cada ano.
Não existe uma estatística oficial que informe quantos avôs e avós vivem atualmente no Brasil. Entretanto, com base na estrutura etária revelada pelo Censo, nos levantamentos da PNAD Contínua e nas características demográficas do país, especialistas estimam que entre 40 e 50 milhões de brasileiros já sejam avós, considerando homens e mulheres acima dos 50 anos que tiveram filhos e netos. Trata-se de uma parcela expressiva da população, presente em praticamente todos os municípios brasileiros.
A imagem do avô aposentado sentado na varanda tornou-se exceção. Hoje, milhões continuam trabalhando, administram empresas, mantêm atividades rurais, prestam serviços, empreendem e seguem contribuindo para a economia nacional. Muitos sequer conseguem desfrutar da aposentadoria porque ela representa a principal fonte de renda da família.
Não são poucos os lares em que a aposentadoria do avô ou da avó paga o aluguel, compra alimentos, mantém crianças na escola e garante medicamentos para toda a casa. Em muitas regiões, especialmente nas mais pobres, o benefício previdenciário dos idosos impede que famílias inteiras mergulhem na extrema pobreza.
Há, porém, uma realidade menos conhecida e bastante preocupante. O aumento da violência patrimonial contra idosos transformou-se em um problema social. São frequentes os casos de aposentadorias desviadas, contas bancárias movimentadas sem autorização, cartões apropriados por familiares ou cuidadores e empréstimos contratados em nome dos idosos sem pleno conhecimento deles.
Em situações ainda mais delicadas, avôs e avós tornam-se reféns da própria generosidade. Muitos netos e até filhos adultos permanecem financeiramente dependentes por anos, acumulando despesas sobre quem já deveria viver uma fase de tranquilidade. O resultado são idosos endividados, comprometendo aposentadorias com empréstimos consignados e sacrificando a própria qualidade de vida para atender às necessidades de terceiros.
É preciso distinguir solidariedade de exploração. A ajuda entre gerações fortalece as famílias brasileiras, mas ela não pode transformar os idosos em financiadores permanentes de filhos e netos. O respeito aos avós passa também pela preservação de sua autonomia financeira, de seu patrimônio e de sua dignidade.
Ao mesmo tempo, é impossível ignorar a riqueza humana representada por essa geração. Os avós carregam experiências, memórias, ensinamentos e valores que nenhuma tecnologia consegue substituir. São testemunhas da história das famílias e, muitas vezes, os responsáveis por transmitir princípios de honestidade, trabalho, solidariedade e perseverança.
Celebrar o Dia dos Avós significa reconhecer sua importância não apenas dentro de casa, mas também na construção da sociedade brasileira. Significa agradecer o amor, a dedicação e os sacrifícios silenciosos que fizeram e continuam fazendo por filhos e netos. Significa, acima de tudo, garantir que envelhecer no Brasil seja sinônimo de respeito, proteção e reconhecimento, nunca de abandono, exploração ou ingratidão.
Neste 26 de julho, a melhor homenagem talvez seja lembrar que quem passou a vida cuidando dos outros também merece ser cuidado. Afinal, os avós não representam apenas o passado de uma família. Eles continuam sendo parte essencial de seu presente e de seu futuro.
Gregório José
Jornalista/Radialista/Filósofo
Pós Graduado em Gestão Escolar
Pós Graduado em Ciências Políticas
Pós Graduado em Mediação e Conciliação
MBA em Gestão Pública

