CIOESTE capacita municípios para enfrentar violência digital contra mulheres

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Curso reuniu representantes do poder público, do Judiciário e do terceiro setor para ampliar a prevenção, identificar agressões virtuais e orientar vítimas na região

A violência contra mulheres e meninas também acontece no ambiente digital e, muitas vezes, chega silenciosamente à rotina das vítimas. Para ampliar a prevenção e preparar profissionais para reconhecer essas situações, a Escola de Governo do CIOESTE realizou, na quarta-feira (9), uma formação sobre violência digital, ministrada pelo perito digital Michel Spiero.

A atividade foi conduzida por Solange Aroeira, coordenadora interina da Câmara Técnica da Mulher do CIOESTE e secretária das Mulheres, Direitos Humanos e Neurodiversidade de Cotia. Segundo ela, o encontro permitiu aos participantes conhecer ferramentas para identificar casos de violência digital, fortalecer ações preventivas e orientar as vítimas sobre formas de proteção.

“Este é um espaço de troca e uma conversa esclarecedora sobre riscos que já fazem parte da vida de muitas pessoas”, afirmou Solange.

CIOESTE busca construir respostas regionais

Na abertura da formação, o secretário-executivo do CIOESTE, Jorge Lapas, ressaltou o papel da Escola de Governo como um espaço no qual profissionais dos municípios podem ir além das demandas imediatas, trocar experiências e construir respostas conjuntas para problemas que atingem toda a região.

Ao comentar os avanços do Consórcio em diferentes áreas, Lapas citou a integração das Guardas Municipais e das polícias em operações realizadas nas divisas entre as cidades.

O secretário-executivo também destacou a implantação de uma central de monitoramento no edifício-sede do CIOESTE. A estrutura deverá reunir Guardas Municipais, agentes de trânsito e equipes da Defesa Civil, ampliando a atuação integrada entre os municípios.

Debate destaca urgência do enfrentamento à violência

Durante o encontro, a assistente social Letícia Martins apresentou um dado que demonstra a urgência do debate. Segundo ela, o Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o equivalente a mais de quatro mortes por dia.

Letícia ressaltou que as mudanças nas formas de comunicação e relacionamento também exigem novas estratégias de prevenção e proteção.

“Embora o encontro tenha como foco mulheres e meninas, a segurança no ambiente digital diz respeito a toda a sociedade”, declarou.

Como a violência digital se manifesta

O perito digital Michel Spiero explicou que a violência digital contra mulheres e meninas pode assumir diferentes formas. Entre as ocorrências mais comuns estão a divulgação de imagens sem consentimento, a exposição da intimidade, a humilhação, os ataques à reputação e o stalking, caracterizado pela perseguição e pelo controle constante da vítima.

A prática também pode envolver o aliciamento de crianças e adolescentes e o uso de informações pessoais para ameaçar, constranger ou vigiar alguém.

Embora ocorram por meio de celulares, computadores e redes sociais, essas agressões ultrapassam as telas. As vítimas podem enfrentar medo, isolamento, sofrimento emocional e a sensação permanente de estarem sendo observadas.

Por causa da relação direta entre violência digital e saúde mental, a formação promovida pelo CIOESTE também integrou a programação do Setembro Amarelo.

Especialista apresenta orientações de segurança digital

Durante o curso, Michel Spiero apresentou medidas que podem ajudar a reduzir a exposição e aumentar a segurança no ambiente virtual. Uma das principais recomendações é evitar a divulgação da rotina e da localização em tempo real.

O especialista também orientou os participantes a terem cuidado com fotografias que mostrem ruas, escolas, academias, uniformes ou outros elementos capazes de revelar os locais frequentados pela pessoa e por seus familiares.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • utilizar senhas fortes e diferentes em cada serviço;
  • ativar a autenticação em dois fatores, principalmente no e-mail;
  • manter os aplicativos e sistemas sempre atualizados;
  • configurar o bloqueio de tela do celular;
  • revisar periodicamente as permissões de localização;
  • verificar as configurações de privacidade das redes sociais;
  • evitar a publicação da localização em tempo real.

Esses cuidados não eliminam completamente os riscos, mas podem dificultar o acesso indevido às contas e reduzir a exposição de informações pessoais.

Formação reuniu representantes de diferentes setores

Participaram da atividade representantes dos municípios integrantes do CIOESTE, do terceiro setor, do Direito e da Justiça.

Entre os participantes estavam Alexander Brenner, especialista em Direito Digital e violência contra crianças e adolescentes, e Raquel Loureiro Pina, representando o Poder Judiciário de Cotia.

A presença de profissionais de diferentes áreas reforçou o caráter integrado da formação e a necessidade de articulação entre os serviços responsáveis pela prevenção, pelo acolhimento e pela responsabilização dos agressores.

Informação pode ajudar a interromper a violência

A proposta do CIOESTE é que os participantes compartilhem as orientações recebidas durante o curso em seus municípios, contribuindo para que mais pessoas consigam reconhecer a violência digital desde os primeiros sinais.

A identificação precoce é importante porque práticas de perseguição, exposição, controle e humilhação podem se intensificar ao longo do tempo e provocar impactos profundos na vida pessoal, familiar e profissional das vítimas.

Informação, acolhimento e denúncia podem ajudar a interromper o domínio exercido pelo agressor antes que o medo e o silêncio tornem a vítima ainda mais vulnerável.


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