Saúde Mental e Nutrição

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Por – Pryscila Souza

Recentemente, tive a honra de palestrar em um evento sobre Pisquiatria. Foi uma oportunidade de conversar com a comunidade sobre Saúde Mental e Nutrição.

Você conhece alguém que passa por algum sofrimento psíquico? Ou, até mesmo, você está passando por alguma situação difícil? Ansiedade, depressão, burnout? O Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo, e a depressão e ansiedade estão entre as principais causas de afastamentos do trabalho. O que este cenário tem a ver com a alimentação? Eu diria que tudo. Afinal, um indivíduo com a saúde mental comprometida, dificilmente irá manter o mesmos hábitos alimentares, visto que os nossos sentimentos e emoções influenciam no comportamento alimentar.

Durante o evento conversamos sobre a importância da alimentação para preservar a saúde mental, mas também como a saúde mental impacta na alimentação. Aqui, é preciso destacar que temos um eixo que participa da modulação desse processo: o eixo intestinocérebro. O estresse e as emoções podem alterar o funcionamento intestinal, como, por exemplo, a motilidade. Da mesma forma, as bactérias presentes no intestino são capazes de se comunicar com outras partes do nosso organismo, inclusive o cérebro. Por isso, alimentação, intestino e saúde mental estão relacionados, mas essa relação é complexa e envolve diversos mecanismos.

Existem vários nutrientes que participam do metabolismo, da produção de neurotransmissores, da comunicação entre os neurônios e da regulação de diversas funções do organismo. Vitaminas do complexo B, ômega 3, vitamina D, ferro, zinco, por exemplo, estão envolvidos em diferentes processos relacionados ao funcionamento do sistema nervoso. Mas, para além dos nutrientes, a forma, a frequência, a quantidade, o local e as pessoas que estão ao nosso redor também são fatores importantes para entendermos se a relação que temos com a comida é saudável ou não.

Porque, afinal, faz sentido uma pessoa comer uma maçã em uma festa de aniversário em vez do bolo? Suponhamos aqui que essa pessoa não tenha nenhuma condição especial que a impeça de comer uma fatia de bolo. A escolha de um alimento não acontece isoladamente. Ela também envolve contexto, preferências, disponibilidade, cultura e a relação que construímos com a comida. Uma alimentação que também cuida da saúde mental não pode ser reduzida apenas aos nutrientes que estão no prato.

E, quando nos deparamos com o sofrimento psíquico, essa relação pode se tornar ainda mais complexa. O sofrimento pode dificultar a manutenção de uma alimentação adequada por diferentes motivos: isolamento social, menor acesso aos alimentos e às refeições regulares, alterações no apetite, dificuldade de concentração e de planejamento, que pode tornar mais difícil o preparo das refeições, entre tantos outros fatores. Em alguns casos, a pessoa pode comer mais, em outros perder o apetite ou simplesmente não conseguir organizar sua alimentação como fazia antes.

É aqui que entra o papel fundamental da nutricionista. Na saúde mental, nossa atuação envolve identificar as dificuldades de cada paciente, auxiliar no planejamento de uma alimentação possível e adequada a sua realidade, monitorar o estado nutricional e os exames identificando possíveis efeitos dos medicamentos, além de integrar as nossas observações e achados ao cuidado multiprofissional.

Quando falamos em saúde mental e nutrição, não falamos apenas do que está no prato. Falamos de sentimentos, rotinas, relações, dificuldades, responsabilidade e possibilidade e, principalmente, da pessoa que está por trás daquele comportamento alimentar.

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