A Sabesp na Sombra da Taxa do Guarda-Sol

Alexandre Frassini Capa
Por – Alexandre Frassini

No ano passado, em pleno mês de janeiro, uma virose se espalhou pelas praias paulistas. Rapidamente, parte da imprensa encontrou seus culpados preferidos: camelôs que vendem alimentos na areia e quiosques à beira-mar. O discurso foi quase unânime. O que chamou atenção, no entanto, foi o silêncio em torno de questões muito mais graves.

Pouco ou nada se falou sobre a qualidade da água fornecida pela Sabesp. Muito menos sobre os diversos cruzeiros que saem do Porto de Santos despejando seus dejetos no mar. Dois temas centrais para a saúde pública e para o meio ambiente simplesmente varridos para debaixo do tapete.

Ontem, ao ouvir uma radio de São Paulo, fiquei quase uma hora acompanhando debates sobre as tarifas cobradas por quiosques para o uso de mesas e guarda-sóis. Não entro aqui no mérito se essa prática é certa ou errada. O que revolta é o tratamento desproporcional dado a esse assunto, enquanto um problema infinitamente mais sério segue ignorado.

A Sabesp, empresa pela qual o cidadão paga taxa, paga serviço e, muitas vezes, não recebe nada em troca. Falta d’água generalizada no litoral paulista, descaso escancarado, falta de respeito e uma sensação clara de impunidade. Vi com meus próprios olhos um bairro inteiro de Itanhaém passar oito dias seguidos sem água. E não adianta ligar, pois o atendimento é automatico e o numero do protocolo do atendimento não serve pra nada. O problema não é pontual: a falta de água também afetou regiões como Osasco, Barueri e Carapicuíba. Ou seja, o descaso não se limita ao litoral paulista, mas se estende por todo o estado, com consequências graves para a população.
E onde estão os holofotes? Onde está a cobrança firme? Onde está a indignação diária? Sob o silêncio constrangedor do Governo do Estado de São Paulo, o assunto parece não merecer destaque. Tampouco ganhou a devida atenção na programação da grande midia.

Mais uma vez, a corda arrebenta do lado mais fraco. Camelôs, pequenos comerciantes, trabalhadores informais viram manchete. Já grandes empresas, contratos milionários e responsabilidades públicas seguem intocados.

Até quando vamos ouvir a desculpa de que a população no verão triplica e por isso falta água. Nas outras três estações o que a Sabesp faz? Tira férias? Cadê o investimento, cadê o planejamento?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *