
À medida que iniciamos o ano e vivemos os meses mais quentes e chuvosos, o Brasil reforça seu histórico de enfrentamento às arboviroses urbanas — com destaque para de ngue, chikungunya e zika, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e que representam um dos maiores desafios de saúde pública no país tropical em que vivemos.
Essas infecções virais, favorecidas por temperaturas elevadas e chuva frequente — condições típicas do verão — continuam a exercer grande pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). No Estado de São Paulo, os dados mais recentes mostram um elevado número de notificações e confirmações de casos de arboviroses já nas primeiras semanas epidemiológicas de 2025, com milhares de casos de dengue e chikungunya registrados nos primeiros meses do ano e dezenas de óbitos pela dengue. Ainda que muitas investigações estejam em andamento, o cenário reforça a magnitude do problema. Portal da Saúde SP
Por que as arboviroses continuam tão relevantes?
As arboviroses não são apenas um tema médico isolado; elas representam um problema que permeia diversas dimensões da saúde pública: desde a organização dos serviços de atenção básica, passando pela vigilância epidemiológica, até os impactos socioeconômicos nas comunidades.
- Alta incidência e carga sobre os serviços de saúde
Nas últimas semanas epidemiológicas de 2025, o Estado de São Paulo registrou centenas de milhares de casos notificados e dezenas de mortes apenas pela dengue, além de milhares de casos de chikungunya confirmados, o que exige uma atenção redobrada por parte da vigilância e dos serviços de saúde. Portal da Saúde SP - Complexidade diagnóstica e clínica
Os sintomas de dengue, chikungunya e zika podem se sobrepor — febre, dor muscular, dor nas articulações e mal-estar — dificultando o diagnóstico clínico sem suporte laboratorial. Esta realidade exige uma capacidade de investigação epidemiológica robusta e profissionais treinados para manejar esses casos com acurácia e segurança. - Potencial para complicações e agravamentos
A dengue pode evoluir para formas graves, com risco de hemorragias, choque e óbito, especialmente em populações vulneráveis (crianças, idosos e pessoas com comorbidades). A chikungunya, por sua vez, pode deixar sequela de dor articular crônica. O zika, apesar de raramente fatal, ainda guarda lembranças traumáticas de surtos com microcefalia em gestantes. Cada um desses vírus, portanto, tem um impacto diferenciado, mas igualmente relevante, sobre a vida e a qualidade de vida da população.

Ciência e tecnologia a serviço da vigilância
Pesquisas científicas recentes destacam a importância de modelos epidemiológicos e ferramentas preditivas para antecipar surtos e estruturar respostas mais ágeis. Trabalhos desenvolvidos no Brasil aplicam análises de séries temporais e aprendizado de máquina para prever picos de doenças como dengue e chikungunya, considerando variáveis ambientais como temperatura e chuva — informações que podem orientar alocação de recursos e estratégias de controle vetorial em tempo real. arXiv+1
O papel vital da população
Nenhuma política pública de enfrentamento às arboviroses terá sucesso sem a participação ativa da comunidade. Isso inclui:
- Eliminar criadouros: recipientes que acumulam água parada, como pratos de vasos, garrafas, pneus e ralos, são locais ideais para a reprodução do Aedes aegypti. A atuação domiciliar, em conjunto com agentes comunitários, é essencial para interromper o ciclo de transmissão.
- Adotar medidas de proteção individual: uso de repelentes, telas em janelas e roupas que minimizem a exposição ao mosquito são ações simples, mas eficazes para reduzir a chance de infecção.
- Buscar atendimento precoce ao surgirem os primeiros sintomas de arboviroses, evitando a automedicação e informando corretamente os profissionais de saúde sobre histórico de viagem, sinais e sintomas.
A conscientização da população não apenas protege o indivíduo, mas reduz a propagação das doenças em toda a comunidade — uma verdadeira expressão de cidadania em saúde.
Integração entre gestores, profissionais e comunidade
O Ministério da Saúde reforçou recentemente a criação de um Centro de Operações de Emergência (COE) dedicado às arboviroses, com o objetivo de coordenar estratégias integradas entre esfera federal, estados e municípios. Serviços e Informações do Brasil Essa ação institucional só será eficaz se amparada por políticas locais fortes e pela mobilização social, incluindo educação em saúde, comunicação transparente e suporte contínuo às equipes de vigilância e atenção básica.
Conclusão
No Brasil, as arboviroses urbanas continuam a ser um dos principais entraves à saúde pública, sobretudo no verão. O combate a elas exige um esforço coletivo: do poder público, com políticas robustas de vigilância, controle vetorial e atenção à saúde; da comunidade, com práticas preventivas no dia a dia; e dos profissionais de saúde, com diagnóstico e manejo baseados em evidências científicas.
Somente assim poderemos transformar o enfrentamento dessas doenças em uma história de sucesso para a saúde pública brasileira.

