E quando chega a nossa vez?

A série Band of Brothers mostra um veterano da Segunda Guerra Mundial, paraquedista que havia integrado a Easy Company no Exército dos Estados Unidos, falando o motivo pelo qual saltara do avião sobre um campo minado e repleto de soldados do exército inimigo. Fiquei realmente muito impressionado com a simplicidade de sua resposta quando foi perguntado por que havia saltado: “Saltei porque havia chegado a minha vez.”

Aquele soldado não pensou nos possíveis bônus que se acrescentaria ao seu salário depois que da guerra retornasse. Sua decisão também não se fundamentou nas honrarias e promoções oferecidas pelo seu País aos que lutam na guerra. Ele saltou porque simplesmente havia “chegado a sua vez”. Outros soldados já haviam feito o mesmo antes dele. Quando chegou a sua vez, não hesitou e assumiu o seu lugar na missão.

Nessa história não é a guerra o que nos interessa, pois, o triste saldo de quase 70 milhões de mortos será sempre um absurdo e uma vergonha para a história da humanidade. Interessa-nos aqui a consciência e magnânima atitude daquele soldado ao assumir seu posto quando a circunstância da vida assim o exigiu.

Devemos estar sempre prontos para dar uma resposta quando os terríveis, incompreensíveis e inesperados problemas da vida se apresentam. Diante do campo minado que se tornou o nosso mundo, com guerras e conflitos de todos os tipos, não parece ser uma boa estratégia permanecer na aparente segurança de nossa aeronave particular. Em meio a tantos ataques, mais cedo ou mais tarde, ela acabará sendo atingida e não teremos mais tempo para reagir.

O tempo de agir é agora. Acredite, chegou a nossa vez! É hora de nos lançarmos, não para nos tornarmos os heróis da história, mas para cumprir nossa parte na missão. Ninguém luta sozinho! Ninguém vence sozinho!

A vida sobre a terra é uma permanente luta. Os poucos intervalos entre uma batalha e outra não são pausas para descanso, mas tempos oportunos para se refazer as estratégias e renovar as forças.

A batalha da vida é exigente. A consciência – iluminada pela verdade – é como um líder que conduz as pessoas na busca do bem. O desejo de eternidade e o amor pelo próximo, encoraja-nos a não desistir. É preciso saltar. Lá em baixo, não é o abismo que nos espera, é a vida real!

Embora minado e cheio de perigos, o campo da vida é o lugar próprio daqueles que vencem o medo e enfrentam corajosamente os inimigos externos e internos. Aliás, nossos piores inimigos não estão fora, mas dentro de nós mesmos. “Saltar”, portanto, significa muitas vezes sair de nós mesmos e autotranscender. Outras vezes, significa entrar em si mesmo para reconhecer nossos limites e capacidades.

Diante da desordem do nosso tempo, há quem prefira permanecer no conforto de uma navegação online, escondido atrás de um belo perfil, reclamando da vida, das pessoas ou do governo da vez. Há também aqueles que esperam surgir algum “salvador da pátria”, um iluminado que venha retirar do caos a sociedade. Mas há também, felizmente, aqueles que preferem saltar para dentro da realidade, unindo-se aos que lutam para serem pessoas melhores, enquanto trabalham para construir uma sociedade melhor.

A vida nos exige hoje uma resposta. Qual será a sua?

 

Instagram: @rogeriosantos.kenosis / e-mail: rogerio.kenosis@gmail.com

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