Influenciadores digitais sem diploma: Projeto de lei prevê multas de até R$ 50 mil

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O crescimento acelerado do mercado de influenciadores digitais trouxe à tona uma questão cada vez mais relevante: até que ponto pessoas sem formação técnica podem orientar milhões de seguidores sobre assuntos que envolvem saúde, finanças e riscos à vida?

Essa discussão ganhou força com o Projeto de Lei 5990/2025, que começou a tramitar no Congresso Nacional no final de 2025 e propõe mudanças significativas na forma como conteúdos digitais são produzidos e divulgados.


O que muda com a nova lei

A proposta busca limitar a atuação de influenciadores em áreas consideradas sensíveis, exigindo formação acadêmica, certificação técnica ou registro profissional para tratar de determinados temas.

Se aprovada, a lei vai além da lógica atual, que foca apenas em alcance e engajamento, colocando a qualificação como critério central para conteúdos informativos.

Entre os temas que exigirão comprovação técnica estão:

  • Saúde: medicamentos, terapias e procedimentos médicos
  • Finanças: investimentos, produtos bancários e serviços financeiros
  • Riscos e vícios: bebidas alcoólicas, tabaco e apostas
  • Agronegócio: uso de defensivos agrícolas

Além da qualificação, o projeto reforça a obrigação de transparência:

  • Informar quando o conteúdo é publicitário
  • Declarar quem financia a divulgação
  • Alertar sobre riscos envolvidos no consumo de produtos ou serviços
Dra. Lorrana Gomes

“A proposta busca equilibrar a liberdade de expressão com responsabilidade, protegendo o consumidor de informações técnicas divulgadas sem base ou qualificação adequada”, destaca a advogada Dra. Lorrana Gomes, do escritório L Gomes Advogados.


Penalidades previstas

O descumprimento das regras pode gerar consequências severas:

  • Advertência com prazo para correção
  • Multas diárias de até R$ 50 mil
  • Suspensão de contas nas redes sociais por até 90 dias, com possibilidade de renovação

O objetivo é conter a desinformação digital, que já resultou em casos de automedicação, prejuízos financeiros e outros danos concretos.

Dr. Fabiano de Abreu Agrela

Para o Pós PhD em neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, o impacto da legislação vai além da punição:

“Pessoas sem qualificação que informam sobre temas sensíveis prejudicam a credibilidade de profissionais capacitados. O cérebro humano tende a confiar em figuras recorrentes e carismáticas, ampliando o potencial de dano quando a informação é incorreta.”


Fase atual do projeto de lei

O PL 5990/2025 está em análise na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados. Em janeiro de 2026, foi apensado ao PL 2749/2025, que trata de temas semelhantes sobre responsabilidade de influenciadores digitais.

O próximo passo será o parecer do relator, deputado Jorge Braz, que poderá recomendar a aprovação, rejeição ou ajustes no texto original.

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