Nada de tabela, classificação ou rodada da Superliga aqui. O papo fecha na polonesa Malwina Smarzek que se apresentou em agosto no Liberatão de Presidente Altino como grande reforço do Osasco comandado por Luizomar Moura.
Em junho ela completou 26 anos, tem 1m91 e é natural de Łask, região central da Polônia com menos de 17 mil habitantes. Ponteira e oposto, figura entre os grandes nomes do país como atleta da seleção. Bem rodada no vôlei internacional, Malwina responde como Mali e rapidamente se ambientou aos costumes brasileiros – mas chegou com feridas emocionais importantes. Meses atrás ela estava na Sibéria quando a Rússia invadia a Ucrânia…
Depois de fechar temporada no italiano Novara em 2021, Mali assina com o Lokomotiv e parte para jogar muito em quadras russas. Mas o país já riscava faca com a Ucrânia desde 2014, rixa que iria às vias de fato em fevereiro último.
Com a guerra, Mali passa a sofrer pressão para abandonar a Rússia. No entanto, responde que está lá apenas para jogar vôlei e sem nada a ver com política. Mas não deu, o clima fica tenso e ela rompe com o Lokomotiv, ação incentivada por retorno à Polônia como reforço do Rzeszów para os playoffs da Tauron e para ser campeã nacional.
No entanto, mesmo no vôlei doméstico a ponteira não teve paz, sofreu barbaramente sob torcedores militantes e isso pesou forte. Então ela parte em férias, isola-se nas montanhas da Itália enquanto amarga outro corte sem anestesia – fora da seleção para o Campeonato Mundial.
Nos altos da Itália, tentava esquecer-se do vôlei curtindo montanhismo, radicalizou no visual e ficava naquela de paz interior. Mas é fato, Mali sabia da realidade ao voltar – que estaria desvalorizada no mercado.
Foi nesse cenário de isolamento que entra Osasco mudando tudo para ela, abrindo importante janela. A polonesa reconhece o momento, valoriza a vitrine internacional e pronto, tudo logo ajustado e assinado.
Recuperando A Estrela
Quando se apresentou no Liberatão, a ponteira estava mesmo fora de forma, peso bem abaixo dos 80kg oficiais. Primeiras avaliações e o preparador físico Marcelo Vitorino cuidou de bolar o planejamento de recuperação.
Quanto ao jogo, o técnico Luizomar não forçava nada, acionava a ponteira aos poucos no Campeonato Paulista porque Mali também estava fora de ritmo – tanto que não estreou na Superliga em 28 de outubro, vitória por 3 a 2 no Sesc Flamengo.
Já na segunda rodada, dia 4 e na derrota para o Sesi Bauru (1 a 3), Mali trabalhou mas sem pontuar; dia 10 e na terceira rodada (3 a 1 Pinheiros), marcaria tímidos três pontinhos para debutar no nacional.
Até a quarta rodada cinco dias depois, muito trabalho físico e a polonesa já mostra mais braço na vitória sobre o Minas por 3 a 1 – o técnico Luizomar valoriza os dez pontos de Mali. Por fim, rodada de sexta-feira passada nos 3 a 2 sobre São Caetano, ela avança para 19 pontos. Sim, números crescentes.
Diz Aí, Professor Luizomar
A Mali é uma jogadora jovem e com grandes resultados pela seleção – maior pontuadora da Liga das Nações alguns anos atrás (361 em 2019). Ela pode voltar a ser uma jogadora top player, pra isso é preciso grande estratégia e é o que está acontecendo.
Preparador Vitorino
O condicionamento físico da Mali é progressivo e projetamos que ela chegue ao pico do alto rendimento já perto dos playoffs da Superliga.
Quando ela se apresentou, tinha força mas pouca massa muscular; tabalhamos potência de saque, potência de ataque e velocidade. Mas toda equipe está nessa crescente e nosso objetivo é que atinja a alta performance antes dos playoffs.

