Medida busca economizar água diante do baixo nível dos reservatórios e ausência de chuvas
A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) amplia, a partir desta segunda-feira (22), o período de redução da pressão da água na Grande São Paulo. Agora, a medida será aplicada diariamente das 19h às 5h, totalizando 10 horas — duas a mais que o período anterior.
Desde 27 de agosto, a redução ocorria das 21h às 5h. A decisão segue recomendação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) como forma de enfrentar o atual cenário crítico de abastecimento, causado pela estiagem prolongada e baixo nível dos reservatórios.
Bairros mais altos podem ficar sem água durante a noite
Imóveis localizados em áreas elevadas ou distantes do centro da capital correm maior risco de ficar sem abastecimento à noite. A Sabesp recomenda que todos os imóveis tenham caixa-d’água e reforça a importância do uso consciente da água.
Segundo a companhia, a estratégia visa evitar o desperdício e minimizar perdas em vazamentos invisíveis, comuns na malha subterrânea da rede.
Sabesp informa que a medida é preventiva e temporária
De acordo com a Sabesp, a ampliação da redução de pressão atende a uma deliberação da Arsesp. O objetivo é preservar os mananciais que abastecem a Região Metropolitana e evitar uma crise hídrica como a vivida entre 2014 e 2016.
“Imóveis com caixa-d’água sentirão menos os efeitos da medida. A ação é temporária e visa evitar vazamentos e reduzir perdas”, declarou a companhia, que foi recentemente desestatizada pela gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Economia de água já abasteceu o equivalente a São Bernardo do Campo
Desde o início da redução, a economia de água foi significativa. A meta inicial era reduzir o consumo em 4 m³/s, mas o volume economizado chegou a 4,2 m³/s, o suficiente para abastecer 800 mil pessoas durante um mês — população similar à de São Bernardo do Campo.
Níveis dos reservatórios continuam em queda
Segundo boletim do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, o sistema que abastece a Grande São Paulo operava na última sexta-feira com apenas 32,8% da capacidade útil, índice 7,7 pontos percentuais abaixo de 2021.
- Cantareira: 30,3% da capacidade
- Alto Tietê: 26,1% da capacidade
- Queda média diária: 0,26%
Estiagem de 2024 agrava a crise de abastecimento
As represas da Grande São Paulo funcionam em dois regimes climáticos:
- Outubro a março: período chuvoso
- Abril a setembro: estiagem
Nos últimos dois períodos chuvosos (2023 e 2024), o volume de chuva foi insuficiente para recompor os reservatórios.
Perdas acumuladas:
- Estiagem 2024: -617 milhões de litros
- Chuvas seguintes: +177 milhões de litros
- Atual seca (set 2025): -380 milhões de litros
Moradores relatam dificuldades com falta de água à noite
Na Zona Leste, especialmente no Itaim Paulista, moradores relatam interrupções frequentes. Muitos precisam recorrer à caixa d’água ou armazenar água manualmente.
“A água some por volta das 22h30 e só volta às 4h30. Com mais duas horas de corte, a situação vai piorar”, conta o técnico de edificações Paulo Roberto.
Por que a pressão da água é reduzida?
A estratégia de redução da pressão é antiga, utilizada desde a crise hídrica de 2014-2016. Com menor pressão, diminui-se o volume de vazamentos não visíveis, o que ajuda a preservar a água nos mananciais.
Segundo Thiago Mesquita Nunes, diretor-presidente da Arsesp:
“Durante a madrugada, pode haver falta de água na torneira, mas o abastecimento retorna no início da manhã.”
Conclusão: uso consciente da água é fundamental
Com o agravamento da estiagem e os baixos níveis dos principais sistemas, a Sabesp reforça o pedido para que todos adotem práticas de economia de água.
Evite desperdícios
Mantenha sua caixa-d’água limpa e abastecida
Reporte vazamentos em vias públicas

