A Câmara Municipal de Osasco realizou, na noite de quarta-feira (4), uma Sessão Solene em alusão à Semana Municipal de Combate ao Feminicídio, reunindo autoridades, especialistas e parlamentares para discutir estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher.
O encontro foi promovido pela Procuradoria Especial da Mulher e presidido pela vereadora Elsa Oliveira, procuradora especial da Mulher no município.
“Muitas vezes a gente se sente impotente por não ter autonomia para acabar de vez com a violência contra as mulheres”, afirmou a parlamentar durante a abertura da solenidade.
Debate sobre o aumento dos casos
Durante os discursos, os participantes destacaram o crescimento dos casos de feminicídio no país.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, média de 4,9 assassinatos por dia.
Participaram da mesa diretora as vereadoras Lúcia da Saúde e Stephane Rossi, além da vereadora Ana Carolina Oliveira, da Câmara Municipal de São Paulo, e de Vilma Barbosa da Silva, segunda procuradora adjunta da Procuradoria Especial da Mulher.
Falhas no sistema de proteção
Durante sua fala, Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabela Nardoni, destacou a necessidade de discutir falhas na aplicação das políticas de proteção às mulheres.
Segundo ela, embora existam leis e medidas protetivas, ainda há lacunas no sistema de proteção que precisam ser debatidas e corrigidas.
Rede de proteção às mulheres
A comandante Teles, da Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal, explicou que o número de mulheres atendidas pelo programa aumentou significativamente desde sua criação, em 2021.
O acompanhamento passou de cerca de 20 para 130 mulheres, com ferramentas como:
- botão do pânico
- atendimento via WhatsApp
- rondas preventivas
A delegada Juliana Arduíno, da Delegacia de Defesa da Mulher de Osasco, também participou do debate e destacou que a alta demanda é um dos principais desafios enfrentados no município.
Ela defendeu o fortalecimento da educação como estratégia de prevenção, com ações que abordem o machismo e a violência desde a infância.
Educação e conscientização
A psicóloga social Paula Schneider, da Associação Fala Mulher, apresentou os serviços de acolhimento oferecidos pela instituição para mulheres vítimas de violência.
As vereadoras Lúcia da Saúde e Stephane Rossi também ressaltaram a importância da conscientização.
Stephane Rossi citou a distribuição de gibis educativos na rede municipal de ensino, voltados à prevenção da violência doméstica.
Participação masculina no debate
O vereador Heber do JuntOZ destacou a importância da participação dos homens nas ações de enfrentamento à violência contra a mulher.
Segundo ele, um dos desafios é organizar melhor o fluxo de atendimento dentro dos serviços públicos para garantir que as vítimas recebam apoio efetivo.
O vereador Batista Comunidade também ressaltou o trabalho das parlamentares do Legislativo no combate ao feminicídio.
Propostas discutidas
Entre as propostas apresentadas durante o encontro estão:
- fortalecimento da educação de base
- ampliação de políticas públicas
- incentivo às denúncias
- integração das forças de segurança
- cumprimento efetivo das medidas protetivas
A sessão também contou com apresentação musical do Instituto Hatus.

