Pista de Caracas: Terrão que vem do anos 90, hoje tem campeão na janela olímpica

Esportes Márcio Silvio

O terrão que coloca o BMX de Carapicuíba no cenário mundial vem dos anos 90, fica na Cohab 21 e numa área do Estado. Nesse palco em 2009, surgia um moleque de 7 anos que hoje é um dos melhores do Brasil e na janela dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.
No último fim de semana, por exemplo, ele pedalou na paraense Paraupebas, cerca de 720km da capital Belém – Gustavo Bala Loka levou de boa o primeiro lugar na versão Park e ficou em segundo na Dirt.
Tem ainda o fresstyle do BMX, versão que o moleque arrepiou com o título na abertura da temporada, prova fortíssima no Caracas Trails – que é o citado terrão dos 90, agora a melhor pista da América Latina.
Bala Loka completa 20 anos neste mês e tem o passaporte já bem carimbado, roda o mundo sobre a bike irada – no semestre passado cumpriu longa temporada na França e projetando voltar ao país como pedal olímpico. Isso mesmo, somando pódios sobre pódios e já entre os melhores da pista nacional, ele posa legal na janela para Paris 2024.
Nesse tour pela Europa o campeão se aprimorou na versão olímpica do BMX, treinando e competido em pista modular. Bala Loka sempre foi terrão, cresceu voando nos obstáculos de Caracas mas, agora, muda para a pista que pode torná-lo olímpico.
Esse modelo não é fixo como o parque onde foi criado, pois os módulos da pista podem ser montados em qualquer área, mesmo num poliesportivo. Tanto que em agosto ele competiu num ginásio em Taubaté, evento BMX conforme o modelo olímpico de Tóquio (madeira) e numa quadra – não é preciso dizer que o moleque faturou geral.

O Terrão de Caracas
Os mais antigos olham com coração retrô para o moderno Caracas Trail de hoje. Nessa área e nos anos 90, o papo era outro. O estilo Dirt Jump do BMX é terrão puro, morros levantados um a um pela moçada – a versão Park é a olímpica.
Naqueles anos o terreno era tipo isolado, espaço inútil e esquecido pelo governo estadual. Nessa pista estão gravados nomes das antigas, uns malucos que chegaram lá com pás e apostando na modalidade quando não havia nada: João Geraldo e Cleber Carvalho são os pais do Caracas Trail.
Trabalho de formiguinha e enfrentando sarros porque ninguém apostava nada. Além disso, muita gente peitou ali querendo levantar barracos para uma grande favela – mas a moçada resistiu bravamente, foi segurando a barra e a área não foi invadida.
Os pilotos que chegavam para treinar eram também os braçais que erguiam rampas – todo mundo trabalhava duro. Ano a ano a pista foi ganhando forma, somando competidores, se projetando na vitrine internacional e formando campeões locais. Hoje batalhando por vaga olímpica, Bala Loka reconhece esse legado e se orgulha do terrão onde surgiu.

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