Câncer: um desafio de saúde pública que exige informação, prevenção e ação contínua

Colunistas Destaque Dra Simone neri

O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, foi criado no ano 2000, durante a Cúpula Mundial Contra o Câncer, em Paris, com a assinatura da Carta de Paris Contra o Câncer. A data tem como objetivo mobilizar governos, instituições e a sociedade para a conscientização, a prevenção, o diagnóstico precoce e o cuidado humanizado diante de uma das doenças que mais impactam a saúde pública no mundo.

Coordenada internacionalmente pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com apoio da Organização Mundial da Saúde, a data reforça que muitos tipos de câncer podem ser prevenidos e que o acesso à informação e ao diagnóstico precoce salva vidas. Mais do que um marco simbólico, o 4 de fevereiro é um chamado à ação coletiva.

Este Caderno Especial Câncer nasce alinhado a esse compromisso. Ao reunir dados, análises e experiências locais, o Correio Paulista reafirma seu papel social de informar, conscientizar e valorizar iniciativas que transformam conhecimento em cuidado, prevenção e esperança.

O câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, que se multiplicam de forma acelerada e podem formar tumores capazes de invadir tecidos e órgãos, inclusive à distância, por meio das metástases. A doença surge a partir de mutações no DNA das células, que passam a perder o controle sobre seu crescimento e divisão. Cada tipo de câncer se origina de células diferentes do organismo, o que explica a grande variedade de manifestações clínicas, sintomas e abordagens terapêuticas.

As causas do câncer podem ser externas ou internas ao organismo. As causas externas estão diretamente relacionadas ao meio ambiente e ao estilo de vida, como tabagismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, exposição solar sem proteção e fatores ocupacionais. Já as causas internas envolvem fatores genéticos e a capacidade do organismo de se defender de agressões externas. Estima-se que cerca de 80% dos casos de câncer estejam associados a fatores ambientais, o que reforça a importância das estratégias de prevenção. O envelhecimento da população também contribui para o aumento da incidência, uma vez que as células acumulam alterações ao longo do tempo.

Embora o fator genético tenha relevância na oncogênese, os casos de câncer exclusivamente hereditários são raros. Algumas neoplasias, como os cânceres de mama, intestino e estômago, podem apresentar maior incidência familiar, mas isso não exclui a influência de fatores ambientais compartilhados.

A dimensão do problema é confirmada por dados recentes amplamente divulgados pela imprensa nacional. Segundo reportagem do Estadão, com base na publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no período. Excluindo-se os tumores de pele não melanoma — de alta incidência, porém menor letalidade — a estimativa é de aproximadamente 518 mil novos casos anuais. Esses números colocam o câncer como um dos maiores desafios da saúde pública brasileira, aproximando-se das doenças cardiovasculares como principal causa de morte.

Entre os homens, os cânceres mais frequentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. O câncer de pele não melanoma permanece como o mais comum em ambos os sexos, reforçando a necessidade de ações contínuas de prevenção e diagnóstico precoce.

Dra. Simone Neri também atua no combate e prevenção ao câncer

Nesse cenário, a detecção precoce é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir a mortalidade. Ela ocorre por meio do diagnóstico precoce, quando a doença é identificada a partir dos primeiros sinais e sintomas, ou por meio do rastreamento, indicado atualmente para os cânceres de mama e do colo do útero. Identificar o câncer em estágios iniciais permite tratamentos mais simples, menos agressivos e com maiores chances de cura. Vale reforçar que o câncer não é contagioso e que o acolhimento, o apoio emocional e o cuidado humanizado são parte fundamental do processo terapêutico.

O tratamento do câncer pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, transplante de medula óssea ou a combinação dessas modalidades, sendo definido de acordo com o tipo da doença, sua localização, estágio e as condições clínicas do paciente. Ainda assim, especialistas são unânimes ao afirmar que a prevenção primária continua sendo a estratégia mais eficaz, baseada na adoção de hábitos saudáveis, como atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso, abandono do tabagismo, consumo moderado de álcool e proteção contra a radiação solar.

O papel de Osasco no enfrentamento do câncer de pele

É nesse contexto que Osasco ganha destaque por meio de iniciativas locais que transformam dados em ações concretas. O Instituto Casa Neri, organização sem fins lucrativos fundada e presidida pela dermatologista Dra. Simone Neri, nasceu com a missão de acolher, atender e prevenir o câncer de pele, especialmente entre as populações mais vulneráveis do município.

Instituto Casa Neri, representado por sua presidente Dra. Simone Neri, foi homenageado na Câmara de Osasco por propositura da vereadora Elsa Oliveira

Reportagens recentes dos jornais de Osasco destacam que o Instituto Casa Neri atua oferecendo atendimentos dermatológicos gratuitos, diagnóstico precoce, cirurgias para remoção de lesões suspeitas, além de ações educativas e campanhas de conscientização. Desde seu lançamento oficial, o Instituto tem se consolidado como uma importante extensão da saúde pública, ampliando o acesso ao cuidado especializado e humanizado.

Entre as ações de maior impacto está a participação ativa nas campanhas do Dezembro Laranja, com palestras, mutirões de avaliação da pele e capacitação de profissionais da Atenção Primária, alcançando centenas de pessoas. O trabalho desenvolvido pelo Instituto já foi reconhecido pela Câmara Municipal de Osasco, que concedeu uma Moção de Aplausos em reconhecimento à relevância social e sanitária de suas ações.

Além da atuação local, a Dra. Simone Neri também representa o Instituto Casa Neri em fóruns e debates nacionais sobre oncologia e políticas públicas de saúde, reforçando a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do cuidado humanizado no enfrentamento do câncer de pele.

Em um país onde os números do câncer crescem de forma consistente, experiências como a do Instituto Casa Neri mostram que a união entre informação, prevenção, acolhimento e ação concreta pode salvar vidas. O combate ao câncer começa antes do diagnóstico — começa na conscientização, no cuidado contínuo e no compromisso coletivo com a saúde.

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