O Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, foi criado no ano 2000, durante a Cúpula Mundial Contra o Câncer, em Paris, com a assinatura da Carta de Paris Contra o Câncer. A data tem como objetivo mobilizar governos, instituições e a sociedade para a conscientização, a prevenção, o diagnóstico precoce e o cuidado humanizado diante de uma das doenças que mais impactam a saúde pública no mundo.
Coordenada internacionalmente pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC), com apoio da Organização Mundial da Saúde, a data reforça que muitos tipos de câncer podem ser prevenidos e que o acesso à informação e ao diagnóstico precoce salva vidas. Mais do que um marco simbólico, o 4 de fevereiro é um chamado à ação coletiva.
Este Caderno Especial Câncer nasce alinhado a esse compromisso. Ao reunir dados, análises e experiências locais, o Correio Paulista reafirma seu papel social de informar, conscientizar e valorizar iniciativas que transformam conhecimento em cuidado, prevenção e esperança.

O câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado de células, que se multiplicam de forma acelerada e podem formar tumores capazes de invadir tecidos e órgãos, inclusive à distância, por meio das metástases. A doença surge a partir de mutações no DNA das células, que passam a perder o controle sobre seu crescimento e divisão. Cada tipo de câncer se origina de células diferentes do organismo, o que explica a grande variedade de manifestações clínicas, sintomas e abordagens terapêuticas.
As causas do câncer podem ser externas ou internas ao organismo. As causas externas estão diretamente relacionadas ao meio ambiente e ao estilo de vida, como tabagismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, sedentarismo, exposição solar sem proteção e fatores ocupacionais. Já as causas internas envolvem fatores genéticos e a capacidade do organismo de se defender de agressões externas. Estima-se que cerca de 80% dos casos de câncer estejam associados a fatores ambientais, o que reforça a importância das estratégias de prevenção. O envelhecimento da população também contribui para o aumento da incidência, uma vez que as células acumulam alterações ao longo do tempo.
Embora o fator genético tenha relevância na oncogênese, os casos de câncer exclusivamente hereditários são raros. Algumas neoplasias, como os cânceres de mama, intestino e estômago, podem apresentar maior incidência familiar, mas isso não exclui a influência de fatores ambientais compartilhados.
A dimensão do problema é confirmada por dados recentes amplamente divulgados pela imprensa nacional. Segundo reportagem do Estadão, com base na publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no período. Excluindo-se os tumores de pele não melanoma — de alta incidência, porém menor letalidade — a estimativa é de aproximadamente 518 mil novos casos anuais. Esses números colocam o câncer como um dos maiores desafios da saúde pública brasileira, aproximando-se das doenças cardiovasculares como principal causa de morte.
Entre os homens, os cânceres mais frequentes são os de próstata, cólon e reto, pulmão, estômago e cavidade oral. Entre as mulheres, predominam os cânceres de mama, cólon e reto, colo do útero, pulmão e tireoide. O câncer de pele não melanoma permanece como o mais comum em ambos os sexos, reforçando a necessidade de ações contínuas de prevenção e diagnóstico precoce.

Nesse cenário, a detecção precoce é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir a mortalidade. Ela ocorre por meio do diagnóstico precoce, quando a doença é identificada a partir dos primeiros sinais e sintomas, ou por meio do rastreamento, indicado atualmente para os cânceres de mama e do colo do útero. Identificar o câncer em estágios iniciais permite tratamentos mais simples, menos agressivos e com maiores chances de cura. Vale reforçar que o câncer não é contagioso e que o acolhimento, o apoio emocional e o cuidado humanizado são parte fundamental do processo terapêutico.
O tratamento do câncer pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, transplante de medula óssea ou a combinação dessas modalidades, sendo definido de acordo com o tipo da doença, sua localização, estágio e as condições clínicas do paciente. Ainda assim, especialistas são unânimes ao afirmar que a prevenção primária continua sendo a estratégia mais eficaz, baseada na adoção de hábitos saudáveis, como atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso, abandono do tabagismo, consumo moderado de álcool e proteção contra a radiação solar.

O papel de Osasco no enfrentamento do câncer de pele
É nesse contexto que Osasco ganha destaque por meio de iniciativas locais que transformam dados em ações concretas. O Instituto Casa Neri, organização sem fins lucrativos fundada e presidida pela dermatologista Dra. Simone Neri, nasceu com a missão de acolher, atender e prevenir o câncer de pele, especialmente entre as populações mais vulneráveis do município.

Reportagens recentes dos jornais de Osasco destacam que o Instituto Casa Neri atua oferecendo atendimentos dermatológicos gratuitos, diagnóstico precoce, cirurgias para remoção de lesões suspeitas, além de ações educativas e campanhas de conscientização. Desde seu lançamento oficial, o Instituto tem se consolidado como uma importante extensão da saúde pública, ampliando o acesso ao cuidado especializado e humanizado.
Entre as ações de maior impacto está a participação ativa nas campanhas do Dezembro Laranja, com palestras, mutirões de avaliação da pele e capacitação de profissionais da Atenção Primária, alcançando centenas de pessoas. O trabalho desenvolvido pelo Instituto já foi reconhecido pela Câmara Municipal de Osasco, que concedeu uma Moção de Aplausos em reconhecimento à relevância social e sanitária de suas ações.
Além da atuação local, a Dra. Simone Neri também representa o Instituto Casa Neri em fóruns e debates nacionais sobre oncologia e políticas públicas de saúde, reforçando a importância do diagnóstico precoce, da prevenção e do cuidado humanizado no enfrentamento do câncer de pele.
Em um país onde os números do câncer crescem de forma consistente, experiências como a do Instituto Casa Neri mostram que a união entre informação, prevenção, acolhimento e ação concreta pode salvar vidas. O combate ao câncer começa antes do diagnóstico — começa na conscientização, no cuidado contínuo e no compromisso coletivo com a saúde.

