Nos últimos meses, bastou o crescimento das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Monjaro e Ozempic, para surgir uma onda de previsões precipitadas dentro da moda:
“O plus size vai acabar.”
E sinceramente?
Essa fala só prova o quanto muitas pessoas ainda não entenderam a profundidade desse mercado.
O plus size nunca foi apenas sobre peso.
Nunca foi apenas sobre numeração.
E muito menos uma tendência passageira.
O plus size nasceu da necessidade de milhões de mulheres serem vistas, representadas e respeitadas dentro da moda.
Nasceu da mulher que entrava em lojas e não encontrava roupa.
Da mulher que escondia o próprio corpo.
Da mulher que acreditava que não podia se sentir bonita.
Estamos falando de um movimento construído por histórias reais, dores reais e consumidoras reais.
Por isso, afirmar que o mercado plus size vai desaparecer por causa de medicamentos para emagrecimento é uma análise extremamente superficial.
Primeiro porque estamos falando de tratamentos caros, que exigem acompanhamento médico, exames, alimentação adequada e suporte profissional.
Muitas mulheres não têm condições financeiras de manter esse processo.
Outras sequer podem utilizar essas medicações por questões de saúde.
E existe ainda uma realidade pouco discutida:
muitas pessoas estão utilizando essas substâncias sem acompanhamento adequado, o que pode gerar efeitos colaterais e até recuperação do peso futuramente.
Mas o ponto principal não é esse.
O verdadeiro erro está em reduzir toda a mulher plus size ao tamanho que ela veste.
Porque a mulher plus size não desaparece quando muda a numeração.
Ela continua existindo.
Continua consumindo.
Continua querendo se vestir bem.
Continua buscando autoestima, acolhimento e pertencimento.
Existe a mulher que nunca vai querer emagrecer.
Existe a que deseja emagrecer, mas continuará tendo dificuldades com modelagem.
Existe a que emagreceu e ainda prefere marcas que entendem corpos reais.
E existe aquela que simplesmente quer moda com representação e identidade.
O mercado não acabou.
O comportamento de consumo é que está mudando.
E é exatamente aqui que muitas empresárias precisam acordar.
Enquanto algumas lojas entram em pânico e começam a perder completamente o posicionamento tentando chamar atenção de qualquer maneira, outras estão fazendo o movimento certo:
estão recalculando a rota sem abandonar sua essência.
Porque o futuro da moda plus size não está apenas na grade de numeração.
Está no relacionamento.
Na experiência.No posicionamento.
Na conexão emocional com a cliente.
A consumidora de hoje quer muito mais do que roupa.
Ela quer se sentir representada.
E as marcas que sobreviverão não serão necessariamente as maiores.
Serão as mais inteligentes emocionalmente e estrategicamente.
O plus size não está morrendo.O mercado está amadurecendo.
E quem entender isso primeiro continuará relevante independentemente do número da etiqueta.
Sou Helena Custódio é pioneira do movimento plus size no Brasil, influenciadora, mentora e consultora de lojistas de moda plus size. Há 18 anos ajuda mulheres e empresárias a fortalecerem posicionamento, autoestima e vendas no mercado da moda.
Instagram: @sougordinhasimoficial

