O PLUS SIZE NÃO ESTÁ ACABANDO.

Capa Colunistas Helena Custódio
Nos últimos meses, bastou o crescimento das chamadas “canetas emagrecedoras”, como Monjaro e Ozempic, para surgir uma onda de previsões precipitadas dentro da moda:

“O plus size vai acabar.”

E sinceramente?
Essa fala só prova o quanto muitas pessoas ainda não entenderam a profundidade desse mercado.

O plus size nunca foi apenas sobre peso.
Nunca foi apenas sobre numeração.
E muito menos uma tendência passageira.

O plus size nasceu da necessidade de milhões de mulheres serem vistas, representadas e respeitadas dentro da moda.

Nasceu da mulher que entrava em lojas e não encontrava roupa.
Da mulher que escondia o próprio corpo.
Da mulher que acreditava que não podia se sentir bonita.

Estamos falando de um movimento construído por histórias reais, dores reais e consumidoras reais.

Por isso, afirmar que o mercado plus size vai desaparecer por causa de medicamentos para emagrecimento é uma análise extremamente superficial.

Primeiro porque estamos falando de tratamentos caros, que exigem acompanhamento médico, exames, alimentação adequada e suporte profissional.

Muitas mulheres não têm condições financeiras de manter esse processo.

Outras sequer podem utilizar essas medicações por questões de saúde.

E existe ainda uma realidade pouco discutida:
muitas pessoas estão utilizando essas substâncias sem acompanhamento adequado, o que pode gerar efeitos colaterais e até recuperação do peso futuramente.

Mas o ponto principal não é esse.

O verdadeiro erro está em reduzir toda a mulher plus size ao tamanho que ela veste.

Porque a mulher plus size não desaparece quando muda a numeração.
Ela continua existindo.
Continua consumindo.
Continua querendo se vestir bem.
Continua buscando autoestima, acolhimento e pertencimento.

Existe a mulher que nunca vai querer emagrecer.
Existe a que deseja emagrecer, mas continuará tendo dificuldades com modelagem.
Existe a que emagreceu e ainda prefere marcas que entendem corpos reais.
E existe aquela que simplesmente quer moda com representação e identidade.

O mercado não acabou.
O comportamento de consumo é que está mudando.

E é exatamente aqui que muitas empresárias precisam acordar.

Enquanto algumas lojas entram em pânico e começam a perder completamente o posicionamento tentando chamar atenção de qualquer maneira, outras estão fazendo o movimento certo:
estão recalculando a rota sem abandonar sua essência.

Porque o futuro da moda plus size não está apenas na grade de numeração.
Está no relacionamento.
Na experiência.No posicionamento.
Na conexão emocional com a cliente.

A consumidora de hoje quer muito mais do que roupa.
Ela quer se sentir representada.

E as marcas que sobreviverão não serão necessariamente as maiores.
Serão as mais inteligentes emocionalmente e estrategicamente.

O plus size não está morrendo.O mercado está amadurecendo.

E quem entender isso primeiro continuará relevante  independentemente do número da etiqueta.

Sou Helena Custódio é pioneira do movimento plus size no Brasil, influenciadora, mentora e consultora de lojistas de moda plus size. Há 18 anos ajuda mulheres e empresárias a fortalecerem posicionamento, autoestima e vendas no mercado da moda.

Instagram: @sougordinhasimoficial

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